[[legacy_image_260676]] “...você tem o consolo de que através de você a felicidade do mundo aumentou” Friedrich Nietzsche Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quando precisei, declara Nietzsche, na obra Humano Demasiado Humano “...inventei também para mim os ‘espíritos livres’, aos quais é dedicado este livro melancólico-corajoso”. Para o filósofo alemão, a figura do espírito livre refere-se a alguém que pensa diferente da maioria, pensa de forma inovadora, criativa, além dos padrões predominantes. Pensa, portanto, “fora da caixa”. No pensamento de Nietzsche, os espíritos livres são a exceção e, em contraponto, os espíritos cativos são a regra. Estes últimos, levados pelo pensamento dominante, não conseguem mudar de ideia, ou pior, não têm ideias para mudar. Espíritos cativos atuam em vários planos, incluindo postos de comando na gestão pública e/ou privada, envolvidos, infelizmente, em processos de tomada de decisões. O Relatório Mundial de Felicidade, publicado há poucas semanas, valoriza a responsabilidade destes gestores e apela para que “coloquem as pessoas e seu bem-estar no centro da formulação de políticas públicas” e estratégias de ação. Dá relevância ao fato de que as decisões tomadas hoje interferem na felicidade e bem-estar das futuras gerações e completa sobre a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como agenda para que estas gerações recebam o que lhe é devido. Desde 2018, a Finlândia é apontada no citado relatório como o país mais feliz no planeta. Sei que é muito difícil “falar” de felicidade no estado atual do mundo, quando se vive uma perigosa combinação de crises, algumas delas ameaçadoras à vida no planeta. Análises diagnósticas, no entanto, admitem que a felicidade finlandesa está associada a dois fatores essenciais nas sociedades humanas: a confiança e a liberdade. Na Finlândia propaga-se uma rede de confiabilidade que leva as pessoas não somente a confiarem umas nas outras, mas em seus governos, em várias escalas. No item liberdade, a cultura segue elevados níveis de liberdade política e civil com iniciativas que estimulam novas ideias e debates em ambientes de abertura, transparência e respeito. Além disso, o país apresenta significativos indicadores de desenvolvimento sustentável e de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, portanto, reforçam compromissos com a qualidade do meio ambiente e com a felicidade, em suas políticas públicas e nos ambientes das organizações. Nessa direção, recentemente, no mundo corporativo, o LinkedIn, a maior rede social profissional, anunciou a disposição da Finlândia em ajudar as pessoas a serem felizes. Um curioso projeto deu destaque a um processo de seleção para que os felizardos pudessem “encontrar sua Finlândia interior” ao se aprofundar, através de cursos, em temas como estilo de vida, equilíbrio, bem-estar, natureza, entre outros. Parece que gestores finlandeses pretendem agora exportar o modelo de políticas públicas voltadas para felicidade e qualidade de vida, em vários ambientes. Afastados os desafios no plano das diferenciações culturais e de perfis demográficos, a corajosa iniciativa é típica de espíritos livres que fogem de modelos predominantes. Entre nós, lamentavelmente, ainda existem espíritos cativos, impedindo que políticas públicas voltadas para felicidade e qualidade de vida, na vida pessoal e profissional, possam transbordar em resultados efetivos. Enquanto isso acontece, o consolo é que através de você a felicidade do mundo possa aumentar!