[[legacy_image_276110]] Recentemente foram noticiados casos de pessoas acometidas pela febre maculosa, inclusive com óbitos. Todas estiveram na Região Metropolitana de Campinas, próxima ao Rio Atibaia, região endêmica para essa patologia, assim como a Região Amazônica é endêmica para a malária. A febre maculosa foi identificada pela primeira vez no estado de Idaho, nos Estados Unidos, no final do século 19. Seu nome se deveu à grande incidência nos estados americanos cortados pela cadeia de montanhas rochosas. Em 1906, foi identificado o carrapato como principal vetor da transmissão. No Brasil, a febre maculosa também é conhecida como tifo transmitido pelo carrapato, febre petequial, febre das montanhas ou febre maculosa brasileira. Foi reconhecida pela primeira vez no Brasil em 1929, no Estado de São Paulo. Logo depois, foi descrita em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Essa bactéria pode causar grandes problemas para o organismo humano. Ela ocorre em países ocidentais, particularmente Estados Unidos, México, Canadá , Panamá , Costa Rica, Argentina, Colômbia e Brasil. No Brasil, a maioria dos casos de febre maculosa se concentra na Região Sudeste, com casos esparsos em outros estados brasileiros, em especial no Sul do Brasil. Essa maior incidência coincide com a presença do principal vetor e reservatório - o carrapato estrela, encontrado em pastos ou gramados, preferencialmente em lugares distantes do sol, bem assombreados e próximos a rios e lagos. O aumento da atividade do carrapato estrela, promovendo maior contato com os seres humanos, geralmente se dá de junho a outubro. O carrapato estrela se desenvolve ao longo de um ano e passa por três estágios parasitários. A taxa de mortalidade no Brasil é cerca de 10 vezes maior que a dos Estados Unidos. Esse alto índice de mortalidade se deve exclusivamente ao retardo no diagnostico e no estabelecimento de tratamento adequado. O indivíduo que apresenta febre (de moderada a alta), cefaleia (dor de cabeça), cansaço e tem história de picada de carrapato ou tenha frequentado área sabidamente de transmissão desta doença nos últimos 15 dias deve informar o médico infectologista o mais rápido possível. Podem existir manifestações hemorrágicas em alguns casos. O médico com certeza indicará uma série de exames laboratoriais e iniciará um tratamento que pode ser decisivo na vida do paciente. Os tratamentos têm como base os antibióticos à base de clorofenicol e tetraciclinas, a Doxicilina que vem sendo muito utilizada no mundo para o tratamento desta patologia. O pronto diagnóstico e a escolha adequada dos fármacos são fatores determinantes de um melhor prognóstico. A principal medida profilática consiste em evitar o contado com carrapato, mantendo distância de áreas rurais sabidamente endêmicas. Caso haja necessidade de caminhar por essas áreas, devemos utilizar roupas brancas que cubram braços e pernas completamente, pois isso facilita a visualização do carrapato. Existem pesquisas que relatam que para o carrapato estrela contaminar um ser humano precisa estar no mínimo há quatro horas preso ao mesmo. Ao encontrar um carrapato preso aderido à pele, o ideal é retirá-lo com auxílio de uma pinça, torcendo-o levemente para que se desprenda. Uma cabeça de fósforo queimado sendo encostada no carrapato pode fazer com que ele se solte da pele também. Nunca se deve esmagar o carrapato com as unhas, pois isso levará à exposição das riquétsias que podem penetrar na pele via microlesões.