(Unsplash) Esse título acima é um desejo dos brasileiros que entendem que somente por meio da cultura, absorvida pelos livros, poderemos mudar a rota do nosso País. O sentido é de que tudo começa pela educação e nos primeiros anos de vida de qualquer cidadão, frequentando escolas com bibliotecas e com incentivo à leitura. Mas essa frase também foi usada pelo presidente da República, recentemente, na abertura da 27ª Bienal de São Paulo, onde ele esteve presente, juntamente com os ministros da Educação e da Cultura, para assinarem um documento que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. Estamos neste 29 de outubro comemorando o Dia Nacional do Livro, data que foi escolhida em homenagem ao dia em que foi fundada a Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, ainda em 1810. Foi nessa época que o Brasil recebeu seu primeiro acervo, quando a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil. É muito oportuno que falemos dessa temática nesse momento, pois planos e projetos temos muitos, mas eles precisam ser colocados em ação o quanto antes. Estamos saindo de eleições municipais e pouco ouvimos falar da necessidade de mais escolas, bibliotecas e de projetos que incentivem os livros e a leitura. O Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) existe desde 2018. É produto de uma ação liderada pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura e Ministério da Educação, que consolidou o resultado de sugestões de representantes de todas as cadeias relacionadas à leitura, e também de educadores, bibliotecários, universidades, especialistas em livro e leitura, organizações da sociedade, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral. Trata-se de diretrizes básicas para assegurar a democratização do acesso ao livro, o fomento e a valorização da leitura e o fortalecimento da cadeia produtiva do livro como fator relevante para o incremento da produção intelectual e o desenvolvimento da economia nacional. Mas é preciso que essas diretrizes e decisões cheguem mais perto de nós. Seguindo na linha nacional, os estados da Federação estão correndo atrás de também aprovarem seus Planos Estaduais, sendo que em São Paulo já tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 529/2023, com a denominação de Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PELLLB-SP), já com voto favorável do relator. Além dos Planos Nacional e Estadual, os municípios também precisam ter suas políticas para o setor bem definidas e, aqui mesmo em Santos, há um projeto de lei em andamento na Câmara, aguardando agendamento para votação. Os órgãos interessados hão de cobrar agilidade nessa tramitação, para que não se percam as motivações apresentadas nesse presente, e em cima dos mesmos objetivos gerais, quais sejam: democratização do acesso, fomento à leitura e à formação de mediadores, valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e desenvolvimento da economia do livro. Temos já, independente da aprovação dos planos, entidades que se desdobram e que muito fazem pela leitura e pelo livro, como exemplo o Projeto Leia Santos e o Proler, da Unisanta. Mas a cidade quer e precisa mais para também receber a denominação “Santos, uma cidade de leitores”. *Eunice Tomé. Jornalista e escritora