Vai aqui uma história que poucos têm conhecimento. A Faculdade de Tecnologia da Baixada Santista está completando 40 anos e este jornalista acompanhou de perto os bastidores para que isso acontecesse, muito além do que a própria A Tribuna noticiou à época. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos anos 1970/1980, um grande anseio da comunidade regional era a vinda de cursos públicos de nível superior. Até então haviam apenas faculdades particulares; era difícil explicar o porquê dessa condição. Como repórter de Educação, defendia a causa de futuros universitários fadados a enfrentar o alto custo do ensino particular, ou simplesmente adiar planos. Sofríamos a síndrome do "patinho feio", esquecidos pelos governos Estadual e Federal. O “start” estava por vir, afinal. Conheci o saudoso Antonio Rubens Lara - que dá nome à Fatec BS - em meados dos anos 1970, líder estudantil foi natural que a política o seduzisse. Vereador em três mandatos, deputado estadual em dois, entre suas demandas estavam os cursos superiores públicos. Quando nos encontrávamos, o tema era recorrente. Lara se dizia desiludido; o governador Franco Montoro havia lhe confidenciado não haver verba para construir a faculdade. Criá-la por decreto até poderia, mas ficaria no papel. Numa dessas ocasiões, perguntei: “E se houvesse um local cedido ao Estado?” A resposta veio rápida: “Seria meio caminho andado!” De pronto indiquei alguns prédios desocupados; um deles, o abandonado “predinho” anexo à Escola Estadual Escolástica Rosa. Lara vibrou com a ideia, mas apontou entrave político. O tal “predinho” pertencia à Santa Casa, cujo provedor era o ex-prefeito Antonio Manoel de Carvalho, seu ferrenho opositor político. A dúvida era se os dois se entenderiam numa (inimaginável) reunião. Foi aí que entrei em ação nos bastidores. Liguei para Carvalhinho (como era conhecido), defendendo que haveria ganho para a comunidade, para a Santa Casa e até politicamente para ambos. Convencido que não era má ideia, concordou que Lara agendasse a reunião, óbvio que sem testemunhas... Começava, literalmente, a história da Fatec BS! A condição era de que eu não publicasse nada! Liguei para o deputado e falei da conversa. Meu compromisso de intermediação estava concluído. Assinei matéria revelando a boa nova da tão sonhada faculdade pública! Deu manchete - é claro - sem este relato. Mas minha digital ficou lá. Para sempre. Antonio Marques Fidalgo. Jornalista.