Imagem ilustrativa (Freepik) Antigamente, na sala de espera dos consultórios, aguardando para sermos atendidos, tínhamos à disposição uma infinidade de revistas para lermos ou apenas folhearmos. Sem falar da possibilidade de iniciarmos um breve diálogo com alguém mais próximo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Atualmente, tendo a companhia do “celular”, sou obrigado a admitir que o ser humano está cada vez mais dependente deste dispositivo que não sai de suas mãos nem por decreto. Tal qual uma abstinência, no sentido de não conseguir se abster ou privar-se de algo. Dia desses, em uma clínica médica, aguardando para efetuar um exame de rotina, percebi um fato rotineiro entre as pessoas. Sem exceção, todas que aguardavam para fazerem seus respectivos exames estavam com seus celulares em mãos. Uma jovem vestida para matar, elegante e chamativa, com o objetivo de impactar ou seduzir alguém, dialogava. “Você vive marcando encontros e não aparece. Tenho a impressão de que você está embromando. Desta vez você vêm? Ou vou ter que ir buscá-lo pessoalmente?” Um rapaz com os braços todo tatuado com frases e desenhos abstratos dialogava. “Qual é a tua, mano? Tá com medinho de fazer tatuagem? Olha, vou bater uma real. Se você aparecer sem tatuagem no reduto da turma logo mais à noite, nós vamos te enquadrar. Tá ligado, mano?” Uma mulher provavelmente com filhos adolescentes, depois de várias tentativas consegue falar com sua filha. “Charlotte! Vou sair tarde do consultório. Por favor, prepare o jantar. Não tem tempo? Está saindo para um rolê? Se eu estiver com fome, peço uma pizza pelo delivery?” Um casal de idosos, cada qual com seu celular, digitava um texto com uma certa dificuldade devido às mãos trêmulas e à visão fraca. Percebi que ambos estavam se comunicando através de mensagens quando ele perguntou. “A palavra manjericão se escreve com “j” ou com “g”?”. Um adolescente que acompanhava seu pai exclamou. “A mãe levou o Rex no veterinário? Levou ontem! Descobriram por qual motivo ele anda latindo e miando? Sua mãe comprou ração para gatos e não para cachorros. Só faltava essa, agora temos um cachorro bilingue”. Alguém sentado próximo de mim, com cara de curioso por não ter me visto com o celular, expressou. “Você não tem celular?” Com o simples objetivo de “testá-lo” e ver a sua “reação”, pois também tenho celular, respondi. “Não! Mas que absurdo!”. Diante de tantos dispositivos móveis, você não tem celular? Como fazem para encontrá-lo? Simplesmente não encontram. Mas até o pipoqueiro tem celular! Mas eu não gosto de pipocas...