<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="435" data-start="155">Nasceu em Santos, a 26 de maio de 1891, e morreu em 21 de agosto de 1920, aos 29 anos. A brevidade da existência projetou sobre a sua obra literária uma sombra biográfica, levando alguns críticos a aproximá-lo de Álvares de Azevedo (1831-1852) pela juventude e pela morte precoce.</p> <p data-end="806" data-start="437">Montenegro pertenceu a uma cidade que crescia depressa, enriquecida pelo porto, pelo comércio e por uma vida urbana onde jornais e círculos literários tinham presença marcante. Funcionário da Companhia Docas de Santos e revisor de A Tribuna, conciliou o trabalho com intensa atividade literária. Colaborou em numerosos periódicos e participou na vida cultural santista.</p> <p data-end="1198" data-start="808">O reconhecimento chegou cedo. Em 1914, venceu os Jogos Florais do Liceu Feminino Santista, com A Torre, e o Concurso Lítero-Artístico do Centro Republicano Português. Jornada Lírica, publicado em 1920, revelou o rigor da sua arquitetura poética. Flâmulas, publicado postumamente em 1925, prolongou essa reputação, confirmada por Osório Duque-Estrada (1870-1927) e Fernando Góes (1915-1979).</p> <p data-end="1860" data-start="1200">Romântica na sensibilidade e próxima da beleza da disciplina parnasiana, a sua poesia percorre a juventude, o amor, a saudade, a morte e a natureza. Em No Monte Serrat, a paisagem de Santos torna-se meditação sobre a transitoriedade; em A Guerra, o ritmo procura reproduzir a violência da Primeira Guerra Mundial. Poema da Terra aproxima o lavrador do poeta. O léxico raro convive com a simplicidade dos versos dedicados à filha, Zélia. Casado com Anastácia de Souza Barros (1897-1984) e pai de dois filhos, dividiu a vida entre a família, o emprego e a literatura. A morte súbita interrompeu-lhe o percurso quando a maturidade artística começava a afirmar-se.</p> <p data-end="2392" data-start="1862">Santos conservou-lhe a memória: em 1922, inaugurou um busto em sua homenagem, embora amigos e companheiros de letras protestassem por não reconhecerem na escultura os traços do jovem poeta. Patrono de uma das cadeiras da Academia Santista de Letras e nome de rua, Montenegro pertenceu a uma geração para quem jornais, revistas, concursos e associações sociais e culturais eram lugares vivos de formação literária. A sua obra situa-se entre o romantismo, o parnasianismo e as transformações que antecederam o modernismo brasileiro.</p> <p data-end="2756" data-start="2394">A Prefeitura de Santos poderia perpetuar a sua memória com dois projetos: publicar a sua Poesia Completa e, em entendimento com os descendentes, criar um espaço com o seu nome, destinado a reunir documentos, fotografias e outros testemunhos. Seriam homenagens justas a quem tanto fez pela vida cultural de Santos e uma forma de projetar o seu nome para o futuro.</p> <p data-end="2795" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2758">*Rui Calisto. Investigador e escritor</p>