(Carlos Nogueira/Arquivo AT) Uma inquietação constante me acompanha enquanto professora de ensino superior há alguns anos: o desafio de propor atividades avaliativas que façam sentido para os jovens universitários e que se encaixem no cotidiano extenuante de trabalho aliado ao estudo a que estão submetidos. No atual contexto em que dividimos a atenção com os dispositivos digitais e as redes sociais, faz-se mister que os temas propostos lhes despertem o interesse e que as dinâmicas de apresentação levem em consideração todo esse cenário. Um dos projetos que procurei desenvolver e que acredito, tenha reverberado positivamente entre os estudantes, era pautado no resgate da história e da vocação para a diplomacia cultural que a Região Metropolitana da Baixada Santista possui. Grosso modo, entende-se diplomacia cultural como um poderoso instrumento de política externa atuando no âmbito nacional, promovendo a aproximação entre povos e o estabelecimento de vínculos educacionais, linguísticos, artísticos etc. entre nações. Em termos regionais, esse conceito pode ser aplicado na divulgação de marcos e celebrações que representam a identidade e a diversidade cultural de estados e municípios, articulando alianças de paradiplomacia entre instituições mundo afora. Nesse caso, a proposta consistia em analisar nossos nove municípios a partir da elaboração de fichas técnicas com dados estatísticos sobre população, economia, educação, território etc.; além da confecção de um mapeamento dos bens culturais de cada cidade. Esses dados surpreenderam grande parte das turmas e foram obtidos facilmente via pesquisa on-line nos portais do IBGE, e dos responsáveis pela guarda patrimonial do País e do Estado, respectivamente o Iphan e o Condephaat. É uma metodologia simples, mas que descortina uma gama de informações relevantes para fomentar o senso crítico necessário no exercício da verdadeira cidadania. A experiência proposta durante todo o ano letivo rendeu ótimos frutos e inúmeras memórias bem-humoradas do processo de realização das pesquisas e das apresentações. Foi extremamente gratificante observar, após os estudos do meio, os relatos dos graduandos, em sua maioria entre 20 e 30 anos, redescobrindo pontos históricos e turísticos de suas respectivas cidades natais ou conhecendo festividades e eventos das regiões onde atualmente moram e trabalham. Esses jovens promissores construíram um vívido mosaico de imagens, saberes e símbolos representativos de um extenso repertório de divulgação de nossa região metropolitana para o Brasil e para o exterior. *Melissa Mendes Caputo Vicente. Professora de História, mestre em Educação e doutoranda em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getulio Vargas.