[[legacy_image_284173]] A edição de ontem de A Tribuna merece especial atenção. É comum ver várias páginas sobre uma mesmo tema. Nesse caso, no entanto, são matérias diversas, mas interligadas. O cenário atual – que seja mantido! - tem a Baixada Santista e o Porto de Santos “iluminados” por uma rara conjunção estelar, formada por um vice-presidente que acumula o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC), um ministro de Portos e Aeroportos, um presidente do BNDES e um governador identificados com a região e com metas de desenvolvimento sustentável, com foco em infraestrutura e reindustrialização. Também fazem parte uma Administração Municipal (Prefeitura de Santos) que tem a atração de atividades industriais sustentáveis como meta e a Autoridade Portuária Santos (APS), que tem se destacado por ações objetivas, integradoras e agregadoras. O editorial “Comércio Mundial em Mutação” destaca a oportunidade do Brasil alcançar maior protagonismo na economia mundial. Já a matéria “Fim dos gargalos logísticos é prioridade” reforça a necessidade de melhoria dos acessos à Alemoa e à Margem Direita do Porto de Santos. Para tanto, são fundamentais a construção de um viaduto de saída do bairro – algo que vem sendo discutido ao menos desde o início da década de 2010 - e do novo acesso ao porto - compromisso de investimento da Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips). Também foi destacada a importância de uma nova ligação Planalto-Baixada, com foco em transporte de cargas, que pode ser uma nova pista do Sistema Anchieta-Imigrantes, um novo caminho conectando Suzano à Área Continental de Santos ou ambos, por que não? O problema é a urgência! A reportagem “Santos: capital dos contêineres” destaca o protagonismo do Porto de Santos num setor associado à operação de cargas de maior valor agregado, menos impactada por fatores climáticos. A Prefeitura de Santos pretende que esse tipo de operação também envolva produtos de alta tecnologia, baixo impacto ambiental e com ênfase na produção local, gerando empregos, atraindo e retendo inteligências, incrementando comércio e serviços. Com o agronegócio buscando alternativas como o Arco Norte e corredores bioceânicos, e com as atuais limitações de acessos ao porto, o conceito Porto-Indústria tem que ser prioridade! Santos está apta a sediar um Zona de Processamento de Exportação (ZPE) desde 2017, tendo sua Área Continental como local com melhor potencial. O artigo “Cidades portuárias” vem ao encontro dessa iniciativa, e o exemplo das Zonas Econômicas Especiais chinesas (atualmente mais de 2.500) é uma referência que vem sendo utilizada pela Prefeitura como justificativa para a implantação de uma ZPE em Santos. Quanto ao Parque Valongo, trata-se de um empreendimento que mostra perfeita sintonia entre porto, cidade e iniciativa privada pela revitalização do Centro Histórico. A essas “luzes” se junta o luminoso anúncio de que o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinará R\$ 2 bilhões para a construção do túnel Santos-Guarujá que, somados a recursos próprios da APS, viabilizarão os cerca de R\$ 4,5 bilhões estimados para a obra. É natural que o ser humano elogie opiniões e tenha interesse em assuntos que comunga e atua. É meu caso, até porque atuo diretamente nessas pautas há mais de 30 anos, como servidor público municipal, professor e pesquisador universitário. Durante muito tempo, só ouvi discursos vazios, vi nuvens carregadas e escuridão sobre todos esses assuntos. Hoje, cheio de comedida esperança, vejo raios de sol surgindo no horizonte e luzes no fim do túnel. Mas ainda há que superar os “freios” que têm inibido a aceleração do desenvolvimento do País. Isso já merece outras matérias, não menos importantes...