Imagem ilustrativa (Freepik) A discussão sobre os critérios de acesso à residência médica voltou ao centro do debate com a apresentação do Projeto de Lei nº 452/2025, que propõe a vedação de cotas, bonificações e outros critérios diferenciados nos processos seletivos dos programas de residência médica. A proposta tramita atualmente no Senado Federal e encontra-se sob análise da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Trata-se de um tema sensível, que merece ser analisado com serenidade e responsabilidade, especialmente por envolver duas questões igualmente relevantes: a promoção da inclusão e a garantia da qualidade da formação médica especializada. Como responsável pela formação de residentes, acompanho diariamente a dedicação, o esforço e a responsabilidade de jovens médicos que investem anos de estudo e preparação para ingressar em programas altamente concorridos. A residência médica representa uma etapa singular da formação profissional, muito além de uma simples especialização. Trata-se de um período de intenso aprendizado e amadurecimento técnico, científico e humano, voltado ao aperfeiçoamento de competências indispensáveis ao exercício da medicina. Diferentemente do ingresso no ensino superior, o médico já graduado passa a atuar em cenários complexos de assistência à saúde, assumindo responsabilidades crescentes no cuidado aos pacientes, em um processo que impactará diretamente a qualidade da assistência prestada à população nos anos seguintes. Por essa razão, muitos profissionais defendem que os processos seletivos para residência médica devam priorizar critérios objetivos de avaliação, baseados no conhecimento, no desempenho acadêmico e na capacidade técnica dos candidatos. Por outro lado, não se pode ignorar que o Brasil ainda convive com desigualdades históricas que impactam a trajetória educacional de milhares de estudantes. O enfrentamento dessas desigualdades constitui uma pauta legítima e necessária, que exige políticas públicas eficazes de acesso, permanência e qualificação ao longo de toda a formação acadêmica. O desafio, portanto, não deve ser tratado como uma disputa entre mérito e inclusão. A verdadeira dificuldade consiste em construir mecanismos capazes de ampliar oportunidades sem comprometer a excelência exigida na formação dos futuros especialistas. A residência médica é um patrimônio da medicina brasileira e deve permanecer orientada pela busca da excelência, da qualificação profissional e do compromisso com o paciente, sem perder de vista a necessidade permanente de ampliar oportunidades e reduzir desigualdades em nossa sociedade. Elói Guilherme P. Moccellin. Presidente do Sindicato dos Médicos de Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande (Sindimed).