(Imagem ilustrativa/Pexels) Durante muitos anos, a estética facial foi associada a mudanças visíveis, correções imediatas e, em alguns casos, excessos que acabaram afastando as pessoas da própria identidade. Em 2026, vivemos um momento de amadurecimento desse mercado. O futuro da harmoniza-ção facial não está em transformar rostos, mas em regenerar estruturas, respeitar histórias e devolver naturalidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cada rosto carrega uma trajetória única. Expressões, marcas do tempo e características individuais fazem parte da identidade de uma pessoa. Quando a estética ignora isso, o resultado pode até chamar atenção — mas dificilmente gera pertencimento. A estética que defendo é aquela que promove reconhecimento no espelho, não estranhamento. Os avanços científicos dos últimos anos consolidaram uma nova abordagem: a estética regenerativa. Tecnologias como o endolaser e o uso de bioregeneradores permitem estimular colágeno, melhorar a qualidade da pele e tratar a flacidez de forma progressiva e segura. O foco saiu do excesso de preenchimento e passou a ser a reconstrução da saúde dos tecidos. Menos volume, mais qualidade. Menos correção imediata, mais longevidade nos resultados. Esse movimento também exige uma mudança de postura dos profissionais. Ciência, consciência e acolhimento precisam caminhar juntos. A ciência garante previsibilidade e segurança. A consciência orienta decisões éticas, inclusive a escolha de não realizar um procedimento quando ele não faz sentido. O acolhimento permite entender se o desejo do paciente nasce de um cuidado legítimo ou de uma dor emocional mal elaborada. A estética pode ser autocuidado, autoestima e reconexão com a própria imagem. Mas também pode adoecer quando se transforma em busca compulsiva por padrões irreais. Cabe ao profissional reconhecer limites, educar e orientar. Nem todo pedido deve ser atendido. Dizer “não” também é cuidar. Em um mundo saturado de filtros, comparações e promessas rápidas, a verdadeira inovação é respeitar a fisiologia, o tempo biológico e a individualidade. A estética do futuro não cria rostos iguais. Ela valoriza o que cada pessoa tem de único. Regenerar é preservar. E preservar, hoje, é o maior ato de beleza. *Erika Kugler. Cirurgiã-dentista especializada em harmonização orofacial