(Pixabay) Temos assistido palestras, lido artigos e teorias sobre o uso indiscriminado de aparelhos eletrônicos e redes sociais, em especial por crianças e jovens. O tema tem roubado a cena das conversas, e nem seria preciso esses debates, pois a constatação está aos nossos olhos, em todos os cantos e lugares. As mãos viraram extensões dos aparelhos, ou vice-versa, como queiram. O hábito, porém, tem causado preocupações de especialistas do ponto de vista do comportamento, da saúde e da falta de sociabilidade, mudando a forma de se relacionar e de se adquirir conhecimentos, a ponto do desenvolvimento cerebral ficar comprometido e a geração chamada de Z perder a criatividade, própria do ser humano. Uma obra que está chamando a atenção para esse tema é A Geração Ansiosa, de Jonathan Haidt, que fala como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais. Nessa linha e do que está tão evidente, o Governo Federal publicou um decreto, recentemente, para regulamentar a Lei 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares nas escolas. O texto determina regras para os alunos, escolas e redes de ensino. O documento coloca como papel da escola determinar como os estudantes precisam guardar os dispositivos, para garantir que não usem os aparelhos no período escolar. A norma também traça outras regras para as escolas. Segundo o documento, as instituições públicas e privadas precisam seguir as orientações do Conselho Nacional de Educação (CNE) – que ainda não foram publicadas – e devem garantir que seus regimentos internos contenham todas as informações de como as estratégias e os critérios serão colocados em prática, atingindo as famílias, os professores e toda a classe de alunos. Para dar resguardo a esses mudanças, a es<CW-17>cola haverá também que promover a conscientização junto aos corpos docente e discente, sobre os riscos do uso dos aparelhos eletrônicos. Uma medida interessante, pois não basta proibir, é preciso que haja um entendimento sobre as razões do não uso dos celulares, de forma consciente. E, ainda, no bojo da lei, que apareçam as medidas claras restritivas e as consequências do descumprimento. Com essa lei, ocorreram muitas críticas, salientado que é uma</CW> forma de cercear a liberdade. Só que esses esquecem que a falta de atenção, de concentração nas salas de aula, está por prejudicar todo o aprendizado escolar e derrubando a qualidade do ensino, além de outros motivos. Mas nem tudo parece estar perdido e essa regulação vem justamente favorecer os jovens e crianças, que passam a ter mais tempo para si mesmos, para os amigos e familiares, encontrando prazeres em outras atividades. Um exemplo vem do Ceará, em algumas escolas de tempo integral ou de meio período. Já prevendo o início das aulas, algumas, não só da capital Fortaleza, programaram durante as férias como aconteceriam as restrições a partir da lei. O aluno pode sair de casa com seu celular, mas chegando na escola ele deverá depositar seu equipamento, em um local do tipo sapateira, com bolsas, situado no corredor da sua sala de aula, no espaço específico do seu número de registro. Educação é isso, é transformação, na medida que apresenta opções melhores e saudáveis em troca de hábitos que estão prejudicando o desenvolvimento cognitivo e da criatividade. Ainda há tempo de se conectar com a escola e com o mundo real. *Jornalista e escritora