(Imagem Ilustrativa/Unsplash) Um conhecido religioso, que normalmente usa humor em suas pregações, afirmou que vivemos tempos estranhos, em que filhos internam seus pais em casas de repouso, deixam seus filhos em creches e passeiam com seus cães em parques. Aliás, passeiam em shopping centers e outros locais públicos fechados. Também ouvi que, no tempo de meus pais e avós, a maioria das famílias era numerosa, com vários filhos. A minha geração teve dois filhos, no máximo. A atual tem animais de estimação, que trata como “filhos”. Entendo essa afinidade, mas não certos exageros. Vi um vídeo no qual um pai tira o filho de um brinquedo, para que seu cachorro o usasse. Também vi um pai carregando o filho no colo, e o cachorro no carrinho de bebê. A relação entre seres humanos e animais é histórica, permeada por amizade e lealdade. Ulisses que o diga. No caso de cães, sua atuação como protetores, guias, na caça, no salvamento e como terapia para idosos e solitários, em geral, tem relatos emocionantes. O problema é quando esse relacionamento se torna patológico e os animais passam a ser tratados como seres humanos, em alguns casos, até melhor do que eles. As calçadas estão repletas de fezes de animais, bem longe da casa onde vivem. Vejo poucas pessoas a recolhê-las. No caso de parques e outros locais ao ar livre, o risco de contaminação de usuários, inclusive crianças, é preocupante. Há quem permita sua presença em restaurantes e praças de alimentação de shoppings centers; porém, eles não comem lá. Para piorar, ficam latindo o tempo todo sem que seus acompanhantes tomem qualquer providência, talvez por já estarem acostumados com o barulho. Se fosse uma criança, provavelmente o pai ou a mãe a pegaria no colo ou sairia do recinto, mas os “pets” tudo podem, e há os que defendem seus “direitos” mais do que os de seres humanos. Por que os levam a esses lugares? Por que obrigam os outros a aturar sua conveniência? Dizem que o convívio com animais humaniza o ser humano. Às vezes, creio que é o contrário e, considerando o atual estágio dessa relação, a humanidade é o que menos importa. Sei que este texto pode gerar reações negativas de algumas pessoas. Podem me julgar “insensível”. Só que empatia, solidariedade e respeito devem ser recíprocos. E nem só de direitos e individualismos vive uma sociedade que almeja ser equânime. Por isso fico esperançoso quando vejo uma mulher grávida, mães e pais passeando com seus filhos, levando-os no colo ou em carrinhos de bebê. Isso me renova a esperança na humanidade! Adilson Luiz Gonçalves. Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras