[[legacy_image_344414]] “...em quase toda parte, é a loucura que abre alas para a nova ideia...” Nietzsche (filósofo) Friedrich Nietzsche viveu da metade do século 19 até o alvorecer do novo século. Polêmico e questionador tinha uma maneira diferente de significar a loucura. Afirmava que, havendo traços de loucura, haveria, também, vestígios de sabedoria e genialidade. Foi assim, quando o tema ESG, concebido em 2004, foi retirado do esquecimento, em 2020, em um gesto de extrema ousadia, para não dizer de loucura, propusemos a inserção de indicadores de felicidade (H - happiness) na referida pauta. A citada moção, de elevado teor comunitário, ‘emergiu’ no Congresso Nacional de Ecofelicidade no final de 2019, mas a proposta de inserir componentes da Ciência da Felicidade na abordagem ambiental não prosperou. Meses depois estávamos enfrentando, em escala mundial, a pandemia de covid-19 com severos impactos sanitários, sociais, econômicos e, principalmente, na felicidade coletiva. No plano ambiental, em 2015, na COP 21, em Paris, as tratativas voltaram-se para ações capazes de mitigar, de forma efetiva, os prejuízos das mudanças climáticas. No contexto de mais esta crise, o alerta é histórico: em 1987, o documento Nosso Futuro Comum cita indícios do efeito estufa e colocava, já naquela época, as ameaças climáticas como uma “probabilidade plausível e grave”. Em síntese: foi a conjunção das severidades do clima e os impactos da pandemia que acionaram o sinal de alerta vermelho na mente da maioria dos investidores e resgatou o interesse em torno do ESG. Neste contexto, e na mesma escala, cresceu o foco em investimentos sustentáveis na tentativa de reduzir riscos no aporte do capital financeiro. Este é o significado da pauta ESG: dar aos interessados portfólios transparentes e sustentáveis para alcançar resultados satisfatórios em investimentos de longo prazo. Apoiada nestas premissas, a Agenda ESG propaga-se com a premência das ameaças supracitadas: a crise climática e as epidemias potenciais. Mergulhamos, assim, em mecanismos de implantação das diversas métricas subjacentes aos temas: ambiente (E), sociedade (S) e governança (G). Medições sobre a felicidade comunitária, o H de happiness, que completaria o ESG-H, ainda estão de fora: falta, talvez, um pouco mais de loucura! O cenário regulatório para os indicadores ESG, apesar dos esforços, ainda é marcado pela variedade de normas que evoluem nos diversos países. O quadro se complica quando os dados de conformidade são divulgados pela própria organização, sem a verificação de terceiros. A inserção do Big Data talvez seja uma solução para dar à Agenda ESG a efetividade e a credibilidade devidas, além de contribuir no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A citada tecnologia já está sendo aplicada no projeto Data for Environment Alliance (Deal) sugerido na COP26 de Glasgow e visa integrar dados nas métricas ESG e na viabilização dos ODS. Uma reunião na Áustria, no ano passado, com mais de 150 especialistas inaugurou a iniciativa Deal, que permite o alinhamento às necessidades humanas e dá transparência e confiabilidade às métricas adotadas. Uma plataforma regional de dados, alavancada pela tecnologia Big Data, poderia ser o primeiro passo para se obter resultados efetivos em torno do ESG e dos ODS. Isso não é loucura!