[[legacy_image_318762]] “Em melhores e mais directas palavras, o sonhador é que é o homem de acção”.Fernando Pessoa - Livro do Desassossego. A palavra líder tem origem no celta e identifica “aquele que vai na frente”. O líder é, portanto, alguém comprometido com ações que possam gerar resultados efetivos, algo muito mais do que uma simples posição na hierarquia organizacional. É exatamente desta forma que o Estudo de Liderança Tecnológica Global 2023, elaborado pela consultoria Deloitte, apresenta a figura do líder nestes novos tempos. As ações de líderes tecnológicos, exigem, agora, novas e essenciais competências alinhadas a responsabilidades cada vez mais abrangentes e excessivamente complexas. Esperam-se, da liderança tecnológica, iniciativas voltadas para toda a organização, desde a transformação digital, com a “chegada” de plataformas de inteligência artificial, cuidados com os liderados, no contexto da produtividade e orientação de carreira, até compromissos com as métricas do ESG, envolvendo cuidados com o ambiente, a sociedade, a governança e a sustentabilidade, em geral. Estamos longe, muito longe, da formação de profissionais de tecnologia suficientemente preparados para este nível de visão holística, que sejam capazes de enxergar a tecnologia além dos limites da própria tecnologia. Na apresentação do denso relatório da Deloitte sobre liderança tecnológica, objeto deste artigo, os autores destacam: “Os executivos de tecnologia devem ser agentes de mudança estratégica... Ao mesmo tempo que mantêm a integridade da infraestrutura que permite tudo isto”. Em síntese, hoje, o papel dos líderes tecnológicos é outro. O estudo contou com dados de entrevistas com 1.179 líderes globais, entre diretores de informação (CIOs), diretores de tecnologia (CTOs) e outros tomadores de decisões em tecnologia. Estes agentes da liderança tecnológica reconhecem que, mesmo quando não lideram iniciativas específicas, como a pauta ESG, por exemplo, é preciso que a função tecnológica esteja alerta e forneça ferramentas e análises nesta e em outras áreas vitais para a organização, aparentemente desconectadas. Na pergunta “qual o papel da função tecnológica na condução da iniciativa ESG?”, as respostas, no plano quantitativo revelam que 58% consideram que a função tecnológica deve fornecer dados à pauta ESG e ferramentas de análises ao trinômio ambiente, sociedade e governança. Em outro extremo, apenas 19% consideram que a liderança tecnológica não tem função neste campo. Tratando-se de um estudo em escala global, cabe aqui um comentário do quadro comparativo entre diversas regiões do planeta na promoção da sustentabilidade. Neste particular, a pergunta respondida pelas lideranças tecnológicas foi: como a função tecnológica está apoiando as metas ambientais e de sustentabilidade, em sua organização? Lamentavelmente, na América do Sul, 49% das lideranças reconhecem que a função tecnológica está ativamente envolvida com esforços de sustentabilidade na organização. Já regiões como Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte atribuem, cada uma, em média 80% no item relevância da conexão entre função tecnológica e sustentabilidade. Finalmente, no capítulo que trata das competências associadas à liderança, em tecnologia transformacional, é dado ênfase à importância do senso de propósito. Devidamente consciente dos impactos de suas práticas dentro e fora da organização o líder tecnológico tem a missão de motivar os liderados e agir na construção de um mundo melhor para se viver. Neste contexto é sem dúvida “um sonhador... Homem de acção”!