[[legacy_image_301292]] “Sem o trabalho, toda a existência apodrece. Mas, sob um trabalho sem alma a vida sufoca e morre”.Albert Camus - filósofo e escritor franco-argelino É pelo trabalho que as empresas se organizam. Os empreendimentos empresariais têm o poder de comprometer ou melhorar a condição humana: 1) podem tornar as pessoas um objeto, uma peça em engrenagens trituradoras que propagam desequilíbrios ou 2) podem assegurar um propósito, um sentido positivo na vida, ensejando ações e esperanças de dias melhores. Conforme Camus, o trabalho é essencial em nossas vidas, mas desprovido de sentido é sinônimo de asfixia ou morte. O propósito é o motor de uma organização e dá, também, sentido à vida de uma pessoa: ao nível institucional, de certa forma, sinaliza o principal motivo de uma empresa existir, revela seu “apetite” na obtenção de lucro e dimensiona os impactos que o empreendimento empresarial provoca no mundo. Na obra Capitalismo Consciente (Alta Books Editora), John Mackey e Raj Sisodia enfatizam a importância da “criação de um número maior de empresas conscientes”, envolvidas “com propósitos elevados” que possam atender às expectativas de todas as partes interessadas (os stakeholders). Na compreensão mais profunda sobre o significado do propósito organizacional e seu impacto no meio social, os autores referem-se a este entendimento como uma jornada de ampliação da consciência. E foi neste “rasgo” de elevada consciência que, em 19 de agosto de 2019, 181 executivos das maiores empresas norte-americanas, CEOs da Business Roundtable, revogaram a maximização de lucro como o propósito maior de uma empresa. Na oportunidade propuseram ênfase ao capitalismo de stakeholders e, estrategicamente, “ressuscitaram” o conceito de ESG (ambiental, social e governança), “dormente” desde sua criação, em 2004. A carta da Business Roundtable, conhecida como a Declaração sobre o Propósito de uma Corporação, mostra que atender interesses apenas dos acionistas é um enorme equívoco. É preciso gerar valor aos clientes, respeitar os fornecedores, cuidar das comunidades e investir nos colaboradores. É preciso, enfim, dar atenção a todos os stakeholders. No meio interno das empresas, a citada declaração se refere aos colaboradores como agentes que merecem compensações justas, respeito, benefícios relevantes e espaços de desenvolvimento de novas competências voltadas para um mundo em rápida mudança. É neste segmento da carta da Business Roundtable que as métricas da agenda ESG se aproximam da experiência do funcionário, conhecida simplesmente por EX (employee experience). Consolidada como forma de medição das fontes de satisfação e insatisfação dos colaboradores em ambientes de trabalho, o EX trata de um conjunto de percepções manifestadas pelos trabalhadores, sobre todos os aspectos da empresa, principalmente durante a jornada laboral. Melhorar a experiência do colaborador, através das métricas do EX, tem sido prioridade para muitos empregadores, seja na manutenção de talentos seja no engajamento aos objetivos da corporação. No contexto do ESG, na maioria das empresas, os colaboradores, como parte de uma sociedade planetária sob ameaça, encontram um forte sentido de propósito no atendimento aos parâmetros ambientais, sociais e de governança. Agendas ESGs partilhadas com todos, no meio interno das organizações, garantem um bom combate ao trabalho sem sentido: um perigoso promotor de asfixia ou “morte” motivacional.