( Unsplash ) A escuta organizacional está se tornando um dos principais fatores de risco para empresas que buscam fortalecer sua governança e sustentabilidade. O problema central não é a presença de canais formais, mas a percepção de que eles não oferecem segurança, independência ou retorno adequado. Segundo a pesquisa Trabalho Sem Assédio 2025, conduzida pela Think Eva em parceria com o LinkedIn, quase metade dos profissionais brasileiros já vivenciou assédio moral no trabalho, mas 48,5% não denunciaram por medo de retaliação ou demissão. Esse dado revela uma fragilidade crítica: quando a escuta organizacional não é percebida como confiável, os riscos deixam de ser comunicados e passam a evoluir silenciosamente dentro da empresa. Esse silêncio organizacional compromete a capacidade da liderança de compreender a realidade interna e agir preventivamente. Plataformas digitais genéricas facilitam o registro de relatos, mas raramente oferecem a mediação necessária para compreender o contexto completo das situações. Na prática, manifestações relacionadas a assédio, conflitos ou riscos psicossociais envolvem fatores emocionais e culturais complexos. Sem escuta especializada, informações relevantes podem ser interpretadas de forma limitada ou perder profundidade ao longo do processo. Outro fator crítico é a ausência de retorno efetivo. Quando colaboradores não recebem resposta clara ou percebem que nenhuma ação foi tomada, a confiança no sistema se deteriora rapidamente. Organizações que tratam a escuta organizacional como função estratégica ampliam sua capacidade de identificar riscos antes que se tornem crises. Afinal, quando colaboradores acreditam que suas manifestações serão tratadas com imparcialidade e confidencialidade, a probabilidade de comunicação aumenta significativamente. Além disso, a escuta organizacional contribui diretamente para a redução de riscos psicossociais, o fortalecimento da cultura organizacional e o aumento da confiança dos colaboradores. Empresas que conseguem identificar problemas precocemente reduzem custos jurídicos, evitam crises reputacionais e melhoram seus indicadores de engajamento e sustentabilidade. Isso também ajuda a promover decisões mais responsáveis e ambientes de trabalho seguros. *Juliana Filizzola. Especialista em ESG