Guilherme Ramos enfrentou obstáculos, pediu ajuda e conseguiu concretizar o projeto dentro do prazo ( Matheus Tagé/AT ) A educação para a igualdade de gênero é pilar fundamental para a construção de uma sociedade justa. Nesse contexto, o Escotismo é pioneiro ao adotar estruturas que promovem a liderança feminina e a convivência igualitária com ambientes em que rapazes e moças aprendem a colaborar e respeitar lideranças de qualquer gênero. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Criado por Baden-Powell em 1907, o Escotismo nasceu com uma proposta pedagógica distante dos modelos escolares formais da época ao privilegiar a vivência, a cooperação e a autonomia juvenil de rapazes. Três anos depois, atendendo a uma reivindicação de um grupo de meninas, foi criado o Guidismo, que chegou ao Brasil em 1919 como Bandeirantismo. Ambas as organizações compartilham a mesma essência. O Movimento Bandeirante segue atuante e é considerado coirmão do Movimento Escoteiro. Porém, a inclusão de mulheres no Escotismo iniciou em 1968, com o primeiro Clã Misto, permitindo a entrada de jovens de 18 a 21 anos. Entre 1976 e 1985, a participação das meninas expandiu-se para outras idades, mas em tropas separadas: de forma democrática, equipes de meninas elegiam suas lideranças, enquanto equipes de meninos escolhiam seus monitores. Em 1996, foi aprovada a patrulha mista e essas equipes passaram a ser lideradas por monitores de ambos os sexos. A dinâmica incentiva meninas a ocuparem posições de comando desde cedo, fortalecendo a autoconfiança e a gestão de equipes, antecipando discussões sobre empoderamento e equidade. Essa formação contrapõe-se à realidade do mercado de trabalho. No Brasil, embora representem 45,2% da força de trabalho, as mulheres ocupam apenas 32,2% dos cargos de liderança, segundo dados do LinkedIn de 2025. No levantamento global, o País ocupa a penúltima posição entre 28 mercados analisados, com média de apenas 1,4 mulher por Conselho de Administração. A desigualdade na remuneração entre gêneros permanece como barreira estrutural. Em 2025, a diferença salarial entre homens e mulheres era de 21,3%, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho e Emprego. Enquanto homens ganhavam R\$ 5.039,68, mulheres recebiam R\$ 3.965,94 – caindo para R\$ 3.026,66 entre mulheres negras. Para igualar o rendimento anual masculino, a mulher precisa trabalhar 80 dias a mais por ano. Nesse cenário, o programa educativo dos Escoteiros do Brasil alinhado ao Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 5, Igualdade de Gênero) oferece uma referência valiosa. Ao normalizar a liderança feminina desde a infância e promover a cooperação igualitária, o Escotismo contribui para formar gerações mais preparadas para romper com obstáculos de gênero no mercado de trabalho e na sociedade. Rejane Lima. Jornalista, consultora de sustentabilidade e participante do Escotismo há 36 anos.