(Unsplash) E... tudo começou com as primeiras manifestações artísticas do homem pré-histórico representadas pelas pinturas e gravuras rupestres do período Paleolítico Superior. A era digital transforma continuamente a maneira como nos comunicamos, socializamos, trabalhamos e nos entretemos. No entanto, este momento tecnológico não nos proporciona apenas entretenimento e benefícios. Também é responsável por uma onda de lesões em pulsos, dedos, ombros e cotovelos, ocasionadas por inflamações nervosas, musculares e tendinosas devido a posturas inadequadas e movimentos repetitivos (LER). Além das ditas lesões, a era da informação nos impõe uma urgência manipulada pela ansiedade, refletindo certa relutância ou falta de ânimo para expressar textualmente nossos sentimentos e opiniões. As interações online tornam-se a cada dia mais repletas de mensagens de apoio, críticas, anedotas e histórias envolvendo figuras públicas compartilhadas via redes sociais e aplicativos como WhatsApp, Telegram, Instagram, X (antigo Twitter), entre outros. O provérbio popular atribuído ao filósofo chinês Confúcio “Uma imagem vale mais que mil palavras” corrobora o hábito de expressar ou comunicar entendimentos e emoções sobre as tantas mensagens recebidas por meio de imagens. Hoje em dia é comum que os textos contenham ideogramas e não é raro que sejam aplicados isoladamente como uma alternativa à escrita convencional. Afinal, por que não nos decidimos exclusivamente pela escrita? Será devido ao grande volume de mensagens recebidas diariamente? Mensagens para as quais nem sempre temos tempo ou disposição para responder prontamente, levando-nos a optar por enviar emojis ou stickers. Pesquisas realizadas em nosso País indicam que uma parcela significativa da população abandonou ou não aprecia o hábito da leitura. Então... uma imagem transmite uma intenção, ideia ou emoção sem a necessidade de palavras. Ah, essa falta de ânimo para a leitura e a escrita! Lançando o olhar para um passado não tão distante, é possível recordar como era a comunicação interpessoal; a sensação de receber uma carta manuscrita entregue em envelope selado e carimbado pelo correio, adornado com belas estampilhas comemorativas ou de figuras notáveis que enriqueciam nossa coleção de selos. A ponta da caneta era porta-voz das emoções. Era assim que manifestávamos nosso afeto e saudade. Entretanto, esses tempos, cada vez mais raros, não passam de lembranças. Hoje, raramente expressamos nossos pensamentos e sentimentos por meio da caligrafia. No entanto, apesar das gratas lembranças e da saudade… Culpado! Eu também me rendi aos emoji e figurinhas! *Arquiteto e urbanista, membro da Academia Santista de Letras