Adriana Galbiatti: "A vida se parece com alguém que espera um voo em um aeroporto. Diante do painel de embarque, os destinos piscam na tela. Algumas conexões partem rápido, outras exigem longas esperas" (Pixabay) Muitas vezes, não entendemos o sentido das pessoas que cruzam nosso caminho. Elas carregam histórias silenciosas que nem sempre percebemos e, ao se despedirem, deixam lições gravadas em nosso coração. Não é surpreendente imaginar o papel que essas presenças têm em nossa trajetória? Algumas chegam como brisas passageiras, outras permanecem por um tempo e há aquelas que ficam transformando tudo ao nosso redor. Todo encontro, cada gesto, cada despedida guarda um significado, mesmo que só o tempo se encarregue de revelá-lo. Pensando em quem chega e em quem vai, a vida se parece com alguém que espera um voo em um aeroporto. Diante do painel de embarque, os destinos piscam na tela. Algumas conexões partem rápido, outras exigem longas esperas. Entre o burburinho das vozes e o aroma distante do café — aquele café antes da decolagem — surgem vínculos que podem durar um instante ou uma vida inteira. Cada passo e olhar cruzado nos desperta para algo maior. Entre as conexões, a vida nos surpreende nos encontros do dia a dia. Na calçada, no caminho para o trabalho, no trânsito apressado... num esbarrão rápido, num sorriso que atravessa olhares. Nem sempre a brevidade define a intensidade. Muitos não se despedem, apenas seguem, deixando rastros de presença no que somos. Há também vínculos invisíveis, feitos por trocas de mensagens e silêncios que atravessam espaços e tempos, como se viajassem pelo Wi-Fi da vida. Quantas conversas, ainda que breves, deixaram marcas no coração... ecoando entre notificações e ausências simbólicas? E aquelas que se prolongam, cheias de expectativa, nem sempre se realizam?</CW> Todo encontro tem um papel importante, um propósito. Alguns chegam para abrir portas, reacender memórias sobre nossa essência; outros vêm para transformar o que parecia imutável. Há quem apareça para ensinar o que precisamos aprender e há quem surja para abrir espaço — ajudando a desapegar, a revelar e curar feridas. Cada um nos convida a refletir sobre quem somos ao reconhecermos nosso reflexo no outro. Ao seguir viagem, que saibamos reconhecer nessas conexões o ritmo sagrado de existir. Que cada olhar trocado, cada palavra dita e até cada silêncio sejam lembrados como parte dessa melodia invisível, que nos ensina a amar, a deixar ir e a continuar crescendo. Que a consciência de cada vínculo nos torne mais atentos, mais gratos e mais inteiros diante da beleza e do mistério da vida. *Adriana Galbiatti é triatleta e terapeuta transpessoal.