[[legacy_image_327756]] Como os municípios do Estado de São Paulo têm se comportado em relação à criminalidade violenta? Quais cidades têm piorado em relação aos índices criminais, e quais têm conseguido avançar na melhoria destes indicadores? Para buscar respostas a estas questões, o Instituto Sou da Paz criou o Índice de Exposição a Crimes Violentos (IECV), uma importante ferramenta para a compreensão do fenômeno da criminalidade violenta nas cidades paulistas com mais de 50 mil habitantes. Ao utilizarmos a lente do IECV para olharmos especificamente aos nove municípios que compõem a Baixada Santista, podemos identificar uma piora geral da exposição à criminalidade violenta na região entre os anos de 2021 e 2022. O Índice de Exposição a Crimes Violentos é calculado a partir das taxas por 100 mil habitantes de seis crimes: homicídios dolosos, latrocínios, estupros, roubos (outros), roubos (veículos) e roubos de carga. Desta forma, quanto maior o IECV de uma localidade, mais elevada sua exposição à criminalidade violenta calculada a partir destas taxas. O IECV médio da Baixada Santista foi de 11,42 em 2021 e saltou para 11,88 no ano de 2022, o que indica uma piora nestes crimes enumerados anteriormente. Ao desmembrarmos os indicadores que somam o IECV Geral, percebemos que há piora em todos eles. O IECV Vida da Baixada Santista foi de 5,36, em 2021, para 5,52, em 2022. O IECV Dignidade Sexual foi, em 2021, 18,26, passando para 18,76, no ano seguinte. Já o IECV Patrimonial saltou de 12,66 para 14,05, entre 2021 e 2022. Ao olhar para estes três aspectos que compõem o Índice de Exposição a Crimes Violentos, é possível perceber que houve uma piora generalizada nestas três áreas, e que ela foi mais intensa em relação aos roubos. Ou seja, de forma geral, os roubos foram os crimes violentos que tiveram o maior aumento nos municípios da região, ainda que os crimes contra a vida, e sobretudo os estupros, também tenham aumentado. A Baixada Santista foi marcada no segundo semestre de 2023 pela Operação Escudo, deflagrada após assassinato de um soldado da Rota que fazia patrulhamento pela Vila Julia, em Guarujá. No decorrer de seus 40 dias de duração, a Operação Escudo deixou 22 pessoas mortas no Guarujá e 6 em Santos. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, a operação teve como principal objetivo combater o crime organizado, e asfixiar o tráfico de drogas na região da Baixada Santista. O IECV, por ser tratar de um indicador acerca dos crimes violentos, não acompanha as taxas de ocorrências de tráfico de drogas. Ainda assim, o Índice de Exposição a Crimes Violentos permite dizer que tanto Guarujá como Santos tiveram piora em seus indicadores de criminalidade violenta nos últimos anos. No entanto, enquanto Santos teve uma piora significativa concentrada nos crimes patrimoniais, Guarujá registrou um aumento de mais de 50% nos crimes contra a vida, ou seja, em suas taxas de homicídios dolosos e latrocínios. É necessário entender se este grande aumento dos assassinatos no município entre 2021 e 2022 se relaciona com a dinâmica do crime organizado, ou ainda, se relaciona com outras motivações. Seguiremos com atenção a região da Baixada Santista em 2024, quando teremos os dados para a elaboração do Índice de Exposição a Crimes Violentos relativo a 2023. O IECV é um termômetro para os gestores avaliarem a situação da criminalidade nos municípios, e esperamos, a formulação de ações voltadas aos municípios mais expostos à criminalidade violenta na região, pautadas em um planejamento estruturado, com participação dos atores municipais, e sem a perda de tantas vidas de maneira violenta.