[[legacy_image_349553]] A descarbonização é a meta mundial do momento. O Brasil reúne condições para se tornar um dos líderes na produção de hidrogênio de baixo carbono, explorando diferentes rotas para obtenção do gás que será o combustível do futuro. O Porto de Santos, com seu tradicional pioneirismo, já anunciou estudos para a produção de hidrogênio verde a partir da energia produzida pela Usina de Itatinga, via eletrólise da água com energia de fontes renováveis. Depois, transportá-lo por vários modais, inclusive dutos, até os terminais portuários, navios atracados no cais, além de empresas, indústrias e moradias da região, com possibilidade até de exportar o excedente. E por que o hidrogênio verde é tão cobiçado? O hidrogênio é o elemento químico mais abundante no universo, mas não é encontrado na forma livre, deve ser produzido e sua obtenção tem pegada de carbono nulo e não gera poluição. As cores do hidrogênio, como por exemplo o azul, branco, verde, cinza e até o preto, sendo esse último com processos mais poluentes, indicam o sistema de extração, a fonte de energia e o composto derivado, mas o melhor e o mais limpo é o verde. Vários países, como a Alemanha, por exemplo, já mostraram interesse pelo potencial da produção de hidrogênio verde brasileiro. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), o País tem potencial para produzir até 1,8 bilhão de toneladas de hidrogênio por ano. O Brasil pode ser o país latino-americano referência no desenvolvimento de projetos de hidrogênio renovável. Expectativas otimistas garantem que em 2050 o Brasil produzirá o hidrogênio verde mais barato do mundo, chegando a custar metade do preço pelo qual se produz hoje o hidrogênio cinza. A projeção está alinhada ao Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, destacando o hidrogênio verde como substituto do petróleo e do gás natural e o principal recurso energético. O Brasil não pode ficar atrás e esse é o momento. Felizmente estamos vendo ações importantes, como o levantamento da Antaq, que deve ser entregue em abril, sobre planejamento do setor portuário para processo de implantação de projetos e ações de descarbonização. Um dos pontos positivos em nosso país é que pode contar com luz solar, ventos e abundância de água para obter o hidrogênio verde competitivo. Norte e Nordeste avançam em pesquisas e implantação de plantas de hidrogênio. Há pouco tempo, mineradora australiana anunciou investimentos de US\$ 5 bilhões em projeto voltado para a produção de hidrogênio verde no Complexo do Pecém, no Ceará. Logo teremos no Brasil navios, inclusive de cruzeiros, usando plantas de biocombustível e gás. O Porto de Santos precisa de planejamento e investimentos, também para a construção de local para abastecimento e demanda para receber os novos navios. Então, pensando a médio e longo prazo, mais uma vez voltamos nossos olhos para a educação. Quem vai lidar com esses assuntos serão as gerações de crianças de hoje e as que virão. Estamos preparando o caminho? É importante que as escolas de Santos e região abram seus currículos para que os alunos entendam a importância de fazer parte dessa luta para o futuro do planeta.