Dias atrás fui ao casamento da filha de um grande amigo. Nesses eventos, sempre encontramos bons e velhos amigos que não víamos faz muito tempo. As conversas sempre giram em torno da família, filhos, problemas da idade, como as pessoas estão profissionalmente e as boas lembranças do passado. Cumprimentando o pai da noiva, ele falou para mim: “Como é bom estar cercado de amigos de uma vida”. Só parei pra pensar nesta frase no dia seguinte. Começamos a estudar juntos desde 1967, sempre no Colégio Santista, até nos formarmos em 1977 e cada um seguir seu caminho na vida. Enquanto os corpos não cobraram a idade, jogamos bola aos sábados à tarde na praia por mais de 20 anos. E todo ano nos reuníamos para celebrar nossa amizade e a vida, numa festa que já tem data agendada por todos. Nessas ocasiões, as recordações do passado sempre afloram em histórias que nos levam ao sabor da infância e adolescência. Realmente, conseguimos voltar à 5ª série do ginásio (em média). Que tal uma viagem no tempo para voltarmos ao passado? Einstein nasceu em 1879 e, pela sua teoria, para essa viagem ao passado seria preciso embarcar num tubo de minhoca com geometria estabilizada, o que permitiria alcançar velocidade suficiente para o evento. Minha turma, quando reunida, consegue fazer essas viagens pelo tempo. Parafraseando Albert: “Imaginação é mais importante que o conhecimento”. E como não lembrar de Newton, nascido em 1643, o pai da Física, e do peso de sua segunda lei, ao longo do anos, cuja característica é a gravidade, puxando tudo para baixo? Nestes últimos anos, fui abençoado por poder voltar a surfar, uma paixão antiga desde o final da década de 1960. Estou me recuperando de cirurgia para implantação de uma prótese na bacia e não vejo a hora de voltar ao passado com meus irmãos de água salgada. Pois é, depois de Einstein e Newton, nossas vidas ficaram reguladas por estas leis implacáveis (tempo e gravidade), que só conseguimos enganar e retardar nos momentos que dividimos com os amigos de uma vida. Aos nossos pais e aos professores da minha geração, o agradecimento eterno por nos proporcionarem essa viagem no tempo. *Ricardo Beschizza. Engenheiro civil