[[legacy_image_309560]] Não há dúvida de que o elemento religião tem sido presente em várias das questões existentes no relacionamento entre os países ao longo dos séculos. Dos primórdios da vitória persa na Batalha de Pelúsio ao atual conflito entre Israel e Palestina, o elemento religioso tem sido usado como justificativa para ação e reação. Infelizmente, a Divina Providência – que nada tem a ver com a história – é sempre utilizada como sustentáculo da ação. Debaixo desse argumento, criam-se narrativas para que um lado ou outro se coloque num pedestal moral superior que pode, em muitos casos, “justificar” atrocidades. O fato é que uma das questões existenciais que religião alguma responde – efetivamente – é o destino do ser humano após o último suspiro nesta existência. Em cima desta dúvida sem resposta, o abuso imposto por lideranças religiosas, principalmente a partir da ignorância humana, tem ensejado a criação de conceitos como superioridade moral, povo escolhido ou até mesmo exclusividade no acesso a um plano espiritual diferenciado em razão do CNPJ da religião selecionada na mortalidade. Em razão disso, ao longo da história, atrocidades – das mais simples às piores possíveis – foram cometidas. Neste sentido, se olharmos tudo com a lupa do tempo histórico, notaremos que os grupos religiosos não se distanciam tanto na sua forma de atuação presente ou passada. Se por um lado, alguns são mais violentos em sua ação, a violência psicológica utilizada por outros também é tão prejudicial quanto. Ao longo da história, também tivemos – e no caso do Irã, ainda temos – governos que pretenderam assumir um perfil teocrático. Desde o direito divino dos reis até à narrativa religiosa impregnada em discursos políticos, o fato é que a humanidade vive refém da religiosidade. E com isso, o conhecimento da verdade, que, segundo o Cristianismo é o que liberta, distancia-se cada vez mais da humanidade pela enorme manipulação existente. No atual conflito Israel–Palestina – cujo cessar fogo imediato é fundamental – muito do posicionamento de determinados grupos da sociedade global tem sido baseado numa interpretação complexa de livros religiosos que se, por um lado, servem como uma bússola moral importante da sociedade contemporânea, por outro, têm sido utilizada para infligir danos irreparáveis à humanidade ao longo dos séculos. O conflito não tem natureza religiosa, mas é sim uma disputa por espaço territorial. A utilização do nome de Deus tem muito menos a ver com a conexão espiritual entre a humanidade e o Criador, mas sim como uma estratégia de poder político, temporal, material e financeira. A questão espiritual é, na maioria das vezes, a de menor relevância em toda a discussão, afinal, o que importa é afirmar-se como correto e o outro como errado. Nesse contexto, observamos uma diminuição do interesse nas religiões porque os indivíduos, à luz da informação e conhecimento amplamente disponíveis atualmente, sentem-se menos inclinados a acreditar em determinadas fábulas históricas. Ao observar-se o comportamento das organizações – e a reduzida atividade caritativa de muitas delas – frustra-se o fiel em sua fé e esperança. O que achará a Divina Providência disso tudo? Até quando sangue será derramado por manipulação da fé?