(Divulgação) O Brasil vive uma triste realidade: três em cada dez brasileiros são considerados analfabetos funcionais. E este, sem dúvida, é um dos grandes entraves para a formação de cidadãos autônomos e conscientes, além de ser uma barreira à competitividade da nossa economia. Pesquisas divulgadas nos últimos dois meses dão uma ideia do quão preocupante é a questão. Hoje, 29% da população entre 15 e 64 anos é formada por analfabetos funcionais, apontou o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). O País está estagnado desde 2009, quando a proporção era de 27%, após redução em relação a 2007 (34%) e 2002 (39%). O estudo, com 2.554 pessoas entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, mostra aumento de 14% de analfabetos funcionais, em 2018, para 17%, em 2024, entre estudantes do Ensino Médio. A pesquisa considera analfabetos funcionais pessoas que leem frases muito simples, mas não compreendem uma notícia de jornal ou um gráfico. Essa deficiência atravessa os 12 anos escolares e chega ao Ensino Superior, segundo o estudo coordenado por Ação Educativa e Conhecimento Social, com apoio de instituições como Fundação Itaú e Unesco: 12% dos jovens com Ensino Superior são analfabetos funcionais. As redes públicas precisam de projeto para recuperar esses alunos. Do contrário, teremos uma geração escolar que já nasce com frustração. Há políticas do MEC e municípios criando turmas especiais de reforço. Secretarias municipais estão atuando. O fantasma da evasão escolar é um risco que aparece nos resultados. Pelo Saeb, 49% das crianças do 2º ano estavam alfabetizadas em 2023, índice inferior aos 56% apontados pelo Criança Alfabetizada. Criticado por “esconder” o dado, o Inep alegou que havia diferenças metodológicas entre as duas avaliações. De fato, o Saeb é por amostragem; o Criança Alfabetizada envolve toda a rede pública. Mas há discrepâncias, como no Maranhão, onde o percentual variou de 31% (Saeb) a 56% (Criança Alfabetizada). Dados sobre alfabetização servem para a prestação de contas e para o trabalho pedagógico. Existe um papel estratégico da formação docente e do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), defendidos pela Abrelivros. As obras do PNLD são pensadas para atender o processo de alfabetização no primeiro e segundo anos. O material didático é uma ferramenta a mais aos professores. Autores e editoras colaboram com material de qualidade, avaliado rigorosamente. Mas esse processo precisa de maior oferta de literatura. A obra literária desperta o interesse pela leitura, favorecendo a alfabetização. Melhorar a alfabetização no Brasil é um desafio para todos: gestores públicos, professores, editoras e autores. Um país de grandes escritores não pode dispensar a criação de personagens tão fundamentais como seus leitores. *Presidente da Associação Brasileira dos Editores de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros)