(Imagem gerada por IA) Há algum tempo descrevi neste espaço como conheci a linda aldeia de meu pai, Barqueiros, em Portugal, banhada pelos raios dourados refletidos no Rio Douro. Eu, minha mãe e meus irmãos, além de filhas e netos, herdamos de meu pai o sobrenome Silvares, que já era também de meu avô paterno, de meus tios e de outros parentes. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas eu sempre ouvi, nas histórias da família, que esse era um sobrenome inventado, como se fosse um topônimo, isto é, referindo-se ou tendo origem em uma localidade onde a pessoa nascera, procedera ou trabalhara, e depois assumido por outros. Busquei incansavelmente por este mistério da família. Visitei Barqueiros, freguesia de Mesão Frio, no concelho de Vila Real, e nenhuma pista. Investi em estudos da árvore genealógica da família. Nada. Mas, nos últimos dias, indo mais a fundo, agora viajando por sites específicos abertos ao público, com muito sacrifício na “tradução” dos garranchos dos antigos sacerdotes, localizei o batismo de meu pai, de 1916, apenas como José Bento, e como filho primogênito de Carlos Bento, que por sua vez é filho de Luiz Bento. Foi uma descoberta impactante para mim. Nenhum deles tinha o Silvares. O irmão que nasceu logo depois, em 1919, era Simão Bento e viveu apenas um ano. O seguinte, na certidão de batismo, de 1922, já apareceu como Joaquim Silvares, filho legítimo de Carlos Silvares. Ou seja, o Silvares apareceu do nada, a partir de 1922. Mas desapareceu o Bento, que até então era o sobrenome original. Mais mistério... Em outro achado importante, localizei a certidão de casamento de meus avós paternos, de 1915, como Carlos Bento e Virgínia da Conceição. E lá constava que meu bisavô nascera numa cidade de nome enigmático, Moura Morta, no concelho de Peso da Régua. A história desse nome merece ser descrita em outra crônica. E descobri que um vilarejo dessa cidade tem o nome Silvares, que provavelmente meu bisavô frequentava nos trabalhos como pedreiro. Bingo. Com certeza ele passou a ser conhecido como Luiz Bento (o Luiz de Silvares) e, quando foi conhecer os netos em Barqueiros, passou o topônimo ao meu avô, que logo o registrou também, e aos filhos José e Joaquim, além de Silvino e Custódio, que vieram em 1931 e 1933, respectivamente, e de outros parentes. Fiquei muito feliz com as descobertas e por desvendar um mistério que envolvia a família há tanto tempo. Elas me ajudaram a aumentar o orgulho que tenho por carregar um sobrenome tão diferente, com origem simples, surgido na região banhada pelas águas douradas do outro lado do oceano. *José Carlos Silvares. Jornalista, escritor e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santos.