Foto ilustrativa (Freepik) Volta e meia leio artigos e depoimentos de pessoas que confessam que o sexo deixou de fazer parte de suas vidas. Há algum tempo eram idosos, que justificavam o tempo – e suas consequências – como a causa natural dessa mudança. Muitos alegavam, entretanto, que não havia perdas; ao contrário, eles descobriram novos interesses na vida, como a amizade e o convívio social, passando a preencher o tempo com viagens e outras atividades, prazerosas e estimulantes. Ou seja, encontravam novos encantos, sendo felizes nessa etapa da existência. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tal discurso hoje não está mais restrito aos idosos. Muitos adultos jovens, na faixa dos 30 ou 40 anos, confessam que sua vida sexual não é a mesma. Ela teria perdido centralidade e intensidade, e o sexo deixou de ser termômetro do bom relacionamento. Alguns dizem que conversam mais entre si; outros que desenvolveram parcerias muito mais seguras e estáveis. A paixão, enfim, característica do arrebatamento que leva ao sexo intenso e frequente, daria lugar ao amor, baseado no respeito, no conhecimento, no diálogo. Longe de mim buscar estabelecer padrão único de comportamento para as pessoas. Elas são diferentes entre si, e cada um reage de maneira diferente diante dos estímulos e desafios da vida. Admito, portanto, que o interesse pelo sexo seja variável entre elas. E mais: não creio que as relações baseadas apenas nele sejam duradouras. Sexo não é, definitivamente, a pedra de toque ou a mágica capaz de manter e fortalecer relacionamentos. Relegá-lo a um papel secundário e acessório, que pode ser descartado em qualquer momento da vida, não me parece, porém, razoável. Ao contrário, ele é fundamental. É condição necessária para um relacionamento saudável e feliz, embora não suficiente. Sexo é ao mesmo tempo desejo, encontro, sedução, prazer. Seres humanos que abrem mão dele perdem muito. Não se trata de comparar situações. É evidente que amigos, música e arte, bem como a partilha constante de sonhos e frustrações, são muito importantes. Sexo exige investimento e renovação. E não me venham com a história que o trabalho, os afazeres ou a família impedem que ele aconteça. Quando se está apaixonado, em qualquer idade, há tempo para encontrar a pessoa amada, e com ela viver intensamente. É preciso estar atento aos estímulos, buscar novas formas de sedução, incorporar a ideia que é sempre possível criar e renovar no sexo, com descobertas estimulantes. Não falo apenas de técnicas ou posições, ou mesmo de artefatos: refiro-me à verdadeira sensualidade, que pode e deve ser desenvolvida em qualquer realidade. Não há idade limite para o sexo. Ele existe e é maravilhoso, desde que praticado com intensidade, carinho e entusiasmo. Reduzi-lo à mera atividade mecânica é lamentável, mas desdenhar dele como se fosse supérfluo ou inútil é erro absurdo, razão de tantas frustrações e desencontros. Vivê-lo sempre, e torná-lo cada vez melhor, é desafio que vale a pena viver todos os dias da nossa vida.