(FreePik) Por muito tempo disseram às mulheres onde era e onde não era o seu lugar. Disseram que certos espaços eram “pesados demais”, “masculinos demais”. Mas a história vem mostrando, todos os dias, que lugar de mulher é onde ela quiser. Inclusive na obra. Inclusive no porto. Inclusive na direção de máquinas e grandes operações. Ainda hoje, muitas mulheres não se veem na construção civil, na área portuária ou no setor automobilístico. Não porque não tenham capacidade, mas porque, durante décadas, esses caminhos sequer foram apresentados como possibilidade. Faltou incentivo. Faltou convite. Faltou oportunidade. O mercado, porém, está mudando e precisa mudar mais rápido. Há um leque de funções com alta demanda por mão de obra qualificada. São áreas que exigem atenção, responsabilidade, organização, liderança e técnica. Habilidades que as mulheres têm de sobra. O que faltava era abrir a porta. Foi com esse propósito que a Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, em parceria com a Secretaria de Assuntos Portuários e Emprego, lançou o programa municipal Emprega Mulher. A proposta é objetiva: jogar holofotes sobre setores onde muitas ainda não se enxergam, mas onde são plenamente capazes de atuar. Lançado neste Mês da Mulher, a resposta foi imediata. Empresas dos mais diferentes setores procuraram o poder público oferecendo cursos e capacitações. Isso significa mais do que qualificação. Significa perspectiva. Significa renda. Significa autonomia. Quando uma mulher passa a ocupar espaços historicamente fechados para ela, não é só uma vaga que se preenche. É uma mudança de cultura. É uma menina que passa a se imaginar ali no futuro. É uma família que amplia suas oportunidades. Construção civil, setor portuário, área automobilística e tantos outros segmentos precisam de profissionais comprometidas. E as mulheres precisam saber que também podem estar nesses espaços, trabalhando, aprendendo uma nova profissão e construindo sua própria trajetória. Dentro do Emprega Mulher, já estão com inscrições abertas cursos voltados para essas áreas que ainda contam com pouca presença feminina. Há formações como pintor imobiliário, eletricista instalador predial, instalador de sistemas fotovoltaicos, vistoria de contêiner e auxiliar de manutenção mecânica, entre outras capacitações ligadas à construção civil e ao setor portuário. São cursos que ajudam a preparar mulheres para novas possibilidades de trabalho e renda em áreas que precisam de profissionais qualificadas e que têm muito espaço para crescer. Porque quando uma mulher encontra oportunidade para aprender e trabalhar, quem avança não é só ela. Avança a família. Avança a comunidade. Avança a cidade. *Nina Barbosa. Secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos de Santos