(Imagem ilustartiva/ Pexels) Educomunicar para esperançar. Campo teórico-prático que emerge na intersecção da Comunicação e da Educação, a Educomunicação é um paradigma norteador de práticas e ações educativas que se distinguem pelo exercício democrático e de cidadania, pelo senso de coletividade e pela dialogicidade, buscando o ideal das relações humanas em convívio com todos os seres e o mundo. É partindo do direito humano à comunicação e à liberdade de expressão com responsabilidade ética que a Educomunicação desenvolve pensamento crítico-reflexivo e consciência social em crianças, adolescentes, jovens e adultos, a fim de fortalecê-los, empoderá-los e emancipá-los para uma vida com dignidade, igualdade, equidade e justiça social. Embora ela tenha se legitimado como campo das Ciências Sociais Aplicadas há mais de 20 anos, a Educomunicação nasce no seio da sociedade civil nas décadas de 1960 e 1970, sobretudo em países da América Latina que enfrentavam ditaduras militares e cujos movimentos sociais encontraram, nas bases da Educação e da Comunicação, sua força de articulação e mobilização na busca por direitos civis. Há mais de duas décadas, o campo tem contribuído com a escola. No Brasil, inúmeras experiências comprovam seu êxito e a conexão dos estudantes às práticas educomunicativas, a exemplo do município de São Paulo, cuja Educom é política pública desde 2004 nas escolas da rede pública, diminuindo índices de violência. Em Santos, o Instituto Devir Educom, desde 2018, com o projeto Memórias em Rede, de jornalismo cidadão e brincante, educação midiática e memória social, tem obtido significativos resultados com as práticas pedagógicas desenvolvidas com crianças e adolescentes de escolas públicas, em um brincar de ser repórter que os levam a ampliar a capacidade de expressão e a compreensão de cidadania. Essas referências revelam o potencial da Educomunicação na escola, na construção de uma educação libertadora, como nos ensina o pensamento educacional de Paulo Freire, tão vivo e atualmente necessário. Para além de educar para e com as mídias (uma urgência!), a Educomunicação busca o bem viver em sociedade. E esse bem viver deve ser permeado, primordialmente, por uma comunicação qualificada, que permita o diálogo respeitoso e a reciprocidade da escuta. Utopia? Esperança? Ancorada na perspectiva freireana, a Educomunica-ção nos traz esperança, sim, mas com utopia crítica, com esperançar, por uma Escola que não forme para o individualismo e a competitividade, para o vestibular e o mercado de trabalho, e que também não reproduza a desigualdade social que há do lado de fora de seus muros, mas que, verdadeiramente, (trans)forme sujeitos em cidadãos que saibam o seu devir, o ser-estar no mundo. *Andressa Luzirão. Presidente do Instituto Devir Educom, doutoranda em Educação, mestra em Ciências da Comunicação, educomunicadora, professora universitária e jornalista