[[legacy_image_279732]] O que pretendo expor aqui não é uma situação tão simples de se resolver num comentário banal. Será necessário que todos os que são pais e educadores tomem acento, por convicção ou (quem dera) por vocação e discutam sem melindres e sem querer manipular essa temática apenas para as suas próprias convicções, uma vez que precisamos, definitivamente, pensar no coletivo. Sou educador desde 1970 e já passei por incontáveis mudanças, reformas, discussões de propostas pedagógicas (e outras nem tanto). Por mim e por todos praticantes da verdadeira educação já passaram: a unificação do primário e ginásio para o chamado 1º Grau, que depois virou Ensino Fundamental com oito anos de duração e, mais recentemente, a divisão em Ensino Fundamental I e II, o famigerado caderno verde, o PIC, a avaliação programática, a aprovação automática, a aprovação por ciclos, a progressão continuada, a escola de verão, as mudanças de ano para série e, mais recentemente, novamente de série para ano, quando se acrescentou mais um ano (o 9º ano) ao Ensino Fundamental, as mudanças no Ensino Médio, quando bem antes havia o Clássico, o Científico e o Normal e tudo isso virou Ensino Semiprofissionalizante e Profissionalizante, que, posteriormente, ficou desobrigado de ter qualquer relação com a formação profissional nessa fase da educação (o que foi uma pena). Aí, eu pergunto: as pessoas saem dos ensinos Fundamental e Médio verdadeiramente alfabetizadas? Tomo a liberdade de mencionar isso e citar os chamados analfabetos funcionais, pessoas adultas e já escolarizadas que não gostam de ler, têm dificuldades para redigir e interpretar textos simples e também executar operações aritméticas fundamentais. Enfim, saíram da escola sabendo um pouco do que lhes possa ser útil para a vida e com alguma noção de que possam ser, de fato, cidadãos com direitos e obrigações, conscientes de sua real posição na sociedade? E o papel da família, que transfere para a escola responsabilidades que são intrinsecamente suas? Esse é outro tema a se discutir bastante, sem melindres, é claro. Diante dessas imensas mudanças aqui relacionadas que pouco colaboraram para a qualidade do ato de ensinar, devo dizer que lutei muito para conquistar o direito de usar da minha liberdade de pensamento e poder expressá-la, como estou fazendo agora. Tenho idade e tempo suficientes como educador para estar, ainda, inquieto com o que vem sendo feito com as pessoas e com as suas necessidades básicas nesse País repleto de diversidades e contrassensos. Poderia propor que precisaríamos deixar os nossos casulos e formar uma grande roda e olvidar das vaidades para discutir, de fato, o que queremos de bom para a nossa sociedade, antes que seja tarde demais. E, seguramente, não ficar apenas nas discussões, mas, a partir delas, arregaçar as mangas e começar, de fato, a colocar em prática as ideias já discutidas. Eu poderia permanecer aposentado e ao largo dessas discussões. Mas ainda estou aqui, em atividade, porque tenho a esperança de que tudo possa mudar para melhor. É só querer, não é mesmo? Aí, alguém pode perguntar: “E o que eu ganho com isso?” Eu responderia: “Uma sociedade melhor, mais igualitária, menos violenta e bem formada, na qual será magnificente viver, conviver e compartilhar coisas boas e essenciais à felicidade de todos”.