(Unsplash) Num mundo em constante mudança, amadurecer não é só ganhar idade. É extrair sabedoria de cada experiência e aprender a silenciar o ruído para ouvir o que importa: nossa conexão uns com os outros. É por isso que o Instituto Cultural e de Pesquisas José Bonifácio olha para o passado sem tratá-lo como peça de museu. Para nós, ele é inspiração viva. No século 19, José Bonifácio já dizia que um país com recursos naturais abundantes só progride se cuidar do seu capital humano: pessoas capazes de criar e de resistir às crises. Essa visão encontra eco na filosofia africana Ubuntu: “eu sou porque nós somos”. Somos um tecido social único. Quando fortalecemos os elos entre nós, fortalecemos a nossa própria dignidade. E educação pública de qualidade é o fio mais forte desse tecido. Ela abre caminho para solidariedade, acolhimento e justiça social. O Brasil tem minerais, sol, água e terra fértil. Mas de que vale essa riqueza se faltam pessoas qualificadas para transformá-la em prosperidade real? Sem mãos preparadas, o desenvolvimento gira em falso. A terra dá o solo. A educação ensina a semear, colher e repartir os frutos. Um país rico em recursos e pobre em conhecimento não sustenta as gerações que vêm. É aí que o ideal do Ubuntu se esvazia. Em tempos de polarização, o Instituto quer fazer o oposto: construir pontes. Começamos na infância, semeando empatia, rigor intelectual e curiosidade. Educar vai além de alfabetizar. É formar pensamento crítico, criatividade e ética — ferramentas para enxergar a diversidade como força, nunca como divisão. Sem ciência, mentes preparadas e valores sólidos, até a terra mais generosa vira promessa vazia. Por isso defendemos a “Qualidade de Aprendizagem Assegurada”, com foco na primeira infância. Esse compromisso ético precisa entrar na pauta das próximas eleições presidenciais. Que candidatos e sociedade firmem um pacto simples e inegociável: aprender com base em resultados e evidências. Uma referência possível é o Pisa, da OCDE, que mede leitura, matemática e ciências e aponta onde as desigualdades estão. Na Baixada Santista já atuamos junto as instituições que fazem a cultura local pulsar. A ideia é expandir essa parceria pelo país. Maturidade verdadeira nasce quando diferentes perspectivas se encontram e formam pessoas capazes de construir o amanhã. Educar com fraternidade e excelência é como o Brasil floresce. É hora de despertar: sem educação, semeamos o vazio. Com ela, colhemos humanidade e erguemos a nação com que sonhamos. *José Geraldo Gomes Barbosa. Engenheiro, advogado, mestre em Direito Ambiental, membro das Academias de Letras de PG e de SV, dos Institutos de Historia e Geografia de Santos e da Bahia