Uma mulher apanha do marido. Inúmeras vezes. As agressões físicas se tornam mais violentas. Em 1983, as mãos se transformam em um cano de espingarda. Ela escapa da morte, mas não dele. Meses depois, tetraplégica pelo tiro e totalmente abalada, ele ainda tenta matá-la outra uma vez, mexendo nos fios do chuveiro elétrico, para eletrocutá-la, durante o banho. A partir daí, ou ela escolhia viver e enfrentar a situação ou esperaria a terceira e completa, tentativa de assassinato. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Hoje, 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Uma lei que fez da farmacêutica cearense o símbolo vivo da violência doméstica que matou, nos três primeiros meses de 2026, segundo dados da Secretaria de Segurança do Estado, 86 mulheres (uma a cada 25 horas). O índice perverso continua com aumento de 31% em relação ao mesmo período de 2025; ao todo, 107 vítimas de janeiro a abril. Mulheres esfaqueadas e arrastadas pelas ruas; perseguidas e mortas em locais jamais pensados, como um consultório médico. Atiradas da varanda. Desfiguradas. Nada parece deter o objetivo de apagar sua vida e excluir o direito fundamental de alguém que acreditou naquele que estava ao seu lado. A Lei Maria da Penha deixou visível que o ambiente familiar não era tão seguro assim, porque é entre quatro paredes que acontecem as violências física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. A Lei trouxe avanços significativos como as medidas protetivas de urgência e, em 2026, incluiu a violência vicária, que embora não seja diretamente contra a mulher, é tão devastadora quanto as outras formas. Como instituição, a OAB Santos procura, dentro de seus limites institucionais, soluções jurídicas para um quadro que envolve mulheres de todas as faixas etárias e classes sociais. Advogadas ou não. Exemplos concretos: volta do IML para Santos; instalação da 1ª Vara de Combate a Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; participação no Grupo Técnico de Trabalho de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Santos; campanha contra a violência nos condomínios, além de outras ações como o OAB por Elas, durante o período de carnaval. A violência de gênero ultrapassa o racional. Por isso, buscamos soluções, trabalhamos em conjunto com o judiciário, os poderes públicos e toda organização civil que acredita que o melhor engajamento é feito através da informação e da ação.