Imagem ilustrativa (Freepik) Em que momentos nos sentimos seguros? E em quais nos sentimos ameaçados? O que produz segurança? Quais são, afinal, as características de uma cidade verdadeiramente segura para todas as pessoas que nela vivem? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Questões como essas nos inquietam e se relacionam com preocupações cotidianas da população brasileira. Uma pesquisa divulgada este ano pela Genial/Quest mostra que a violência é a maior preocupação da população brasileira: 29% dos entrevistados apontam a criminalidade como o principal problema do país, mesmo com uma redução significativa de crimes violentos letais, como aponta o Atlas da Violência 2025. Essa aparente contradição revela a complexidade do tema e nos mostra que a redução dos índices de violência e a percepção de segurança nem sempre caminham juntas. O mesmo Atlas da Violência também evidencia que, em 2023, uma pessoa negra tinha 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que uma pessoa não negra, um aumento de 15,6% em comparação a 2013. Na Baixada Santista, entre 2022 e 2024, os casos de mortes decorrentes de intervenção policial passaram de 33 para 117, um crescimento de 254,5%. As operações Escudo e Verão de 2024 foram consideradas por entidades de direitos humanos duas das mais violentas da história recente do estado. Percepções de segurança e insegurança são constituídas no cotidiano, no corpo e no território. Para criar cidades seguras, é imprescindível um projeto de futuro que não seja produzido a partir do autoritarismo, da violência e da criminalização da pobreza. Com essa aposta em mente o Instituto Procomum está lançando o projeto “Salve! Cuidado, Convivência e Tecnologias Para a Segurança Pública”. Buscamos, por meio dele, incidir no modelo atualmente aplicado em Santos, por meio da inovação cidadã. Acreditamos que a segurança pública deve se transformar em um comum sustentando por três pilares: convivência, cuidado e tecnologia. Nosso horizonte é uma sociedade em que o racismo, a criminalização da pobreza e a lógica da punição não sejam os motores da política de segurança. Uma cidade onde um jovem negro possa andar de bicicleta com liberdade e dignidade. Em que uma mulher possa caminhar sozinha à noite sem medo. E onde pessoas em situação de rua sejam vistas como pessoas e não como falha no sistema. Vamos juntos fazer da segurança um compromisso com a vida de todas as pessoas, de todas as formas. Vamos sonhar e fazer uma Santos onde a segurança seja fruto de escuta, diálogo, respeito, convívio e cuidado mútuo. Vamos tornar a segurança um bem comum.