[[legacy_image_311514]] No início dos Estados Unidos, os estados eram um aglomerado de migrantes que estavam em busca de encontrar um significado para o novo país que pretendiam construir. Pessoas dos mais variados locais pretendiam estabelecer uma realidade diferente da Europa. No Primeiro Congresso Continental, que contou com figuras como John Adams, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, foi reconhecida a diversidade da nova nação. Nesse momento, foi cunhada uma frase ainda presente em documentos oficiais e na moeda daquele país: “E pluribus unum” (de muitos, um). Com isto, a ideia é que a base do avanço de uma nação é a diversidade de suas ideias, pessoas e realidades na construção de um todo que avance a sociedade. Uma passagem do Alcorão afirma que a beleza do mundo é a diversidade da criação. Por mais diferente que o invólucro possa parecer, a essência é a mesma. Infelizmente, talvez por tradição religiosa ou fatores culturais, somos levados a acreditar que para tudo existe algo correto, uma só resposta, um só padrão. A humanidade tenta homogeneizar aquilo que é diverso e que é belo justamente por ser diverso. Afinal, é o multicolorido do outono que o transforma numa das mais lindas estações do ano, e o monocromático do inverno que o torna triste. Nos reinos animal e vegetal observamos uma multiplicidade de cores, formas, essências e diversidades que a humanidade deveria compreender e aceitar que mesmo na existência - política, econômica e social - inexiste um só modelo correto, uma só perspectiva que deva prevalecer sobre os outros. Porque até mesmo aquilo que por um tempo era unânime e considerado correto, com o passar do tempo também se tornou errado, equivocado ou ultrapassado. Até pouco mais de cem anos atrás, por exemplo, era aceitável para algumas sociedades a abominável existência de escravos. O fato é que todas as vezes que a humanidade quis impor um só pensamento, uma só perspectiva, muito sangue foi vertido. À toa. Ao final de tudo, somos obrigados a reconhecer de que somos todos iguais - apesar de pequenos detalhes de diferença na existência de cada indivíduo - na grande saga que é a vida humana. O grande pecado da atual geração é a hipocrisia de dizer aceitar o discurso da diversidade, porém impor padrões de comportamento e cercear a liberdade de expressão e de pensamento. O patrulhamento ideológico e moral imposto pela ditadura do politicamente correto invalidam qualquer possibilidade de divergência no pensamento. A pandemia, que muitos presumiram que tornaria a humanidade melhor, de fato, acirrou os ânimos como nunca. Sob o manto de uma visão distorcida da realidade, pretende-se afirmar que exista somente uma verdade, um só caminho, num mundo repleto de perguntas sem respostas. Neste mundo em constante transição e evolução, querer impor-se uma só perspectiva como correta é insanidade. A riqueza da vida neste planeta e dimensão advém da diversidade. Confúcio afirmou: “Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas”, até porque inexistem respostas absolutas. Eis a riqueza da vida. Da diversidade de muitos, a construção de uma nova realidade.