(Imagem ilustrativa/Pexels) A tendência de adotar ídolos sempre esteve presente no Brasil, moldada pelas circunstâncias de cada época. Seja na política, na religião, nos esportes ou na cultura, esses ídolos refletem tanto as aspirações dos brasileiros quanto as lacunas sociais e institucionais que fazem com que essas figuras sejam vistas como indispensáveis. No futebol, jogadores como Pelé, Zico e Neymar transcenderam o esporte, tornando-se ícones nacionais. Na música, artistas como Elis Regina e Anitta conquistaram status de ídolos, representando a identidade brasileira no exterior. Contudo, o que pode parecer natural no esporte e na cultura, é surpreendente quando ocorre na política. Nela, alguns líderes são adotados como ídolos, sendo muitas vezes perdoados mesmo quando claramente conduzem a coisa pública de forma inadequada. É aqui que entra o talento dos populistas em conquistar as massas. Populistas costumam adotar uma retórica simples e direta, que encontra eco no público-alvo. Eles prometem soluções rápidas para problemas complexos, atraindo aqueles que se sentem abandonados. Normalmente possuem carisma, qualidade que lhes permite atrair atenção e conquistar a confiança de grandes audiências. Apelam às emoções, como medo, raiva ou expectativa, utilizam narrativas de "nós contra eles". Essa estratégia cria um senso de pertencimento e propósito para seus seguidores. Em tempos de crises, as pessoas tendem a buscar líderes que ofereçam estabilidade e confiança. Os populistas se apresentam como salvadores, prometendo restaurar a ordem, defender os interesses do povo, mas a imagem de líder autêntico e “próximo do povo” é resultado de uma construção cuidadosa e eficiente. A polarização da mídia e os algoritmos das redes sociais também desempenham um papel fundamental. Muitas pessoas têm acesso apenas a narrativas favoráveis ao líder populista, o que limita uma visão crítica. No entanto, a crença em populistas não se resume à idolatria. Ela resulta de uma combinação de insatisfação, esperança, identificação emocional e condições sociais. Combater a ascensão de populistas nocivos exige o fortalecimento das instituições democráticas, maior acesso à educação e o desenvolvimento do senso crítico das pessoas. Em um país que historicamente adotou ídolos, o desafio é equilibrar a inspiração de líderes carismáticos com a responsabilidade cidadã de exigir transparência e competência na gestão pública. *Engenheiro, ex-executivo, consultor