Movimento Mães de Maio (Divulgação/Prefeitura de Santos) Maio de 2026 marca um aniversário sombrio para a democracia brasileira, completando duas décadas de um dos maiores massacres da história moderna de São Paulo. Diante de um cenário de impunidade consolidada, o Movimento Independente Mães de Maio convoca a sociedade para um ato político no dia 17, a partir das 15 horas, na Estação da Cidadania, em Santos, reafirmando que a luta não é apenas por memória, mas pela penalização rigorosa de agentes do Estado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 10 de maio de 2006, sob o pretexto de retaliação a ataques de facções, agentes estatais promoveram uma onda de violência que resultou na execução de mais de 500 pessoas - em sua vasta maioria jovens negros e moradores da periferia - em apenas dez dias. Vinte anos depois, os Crimes de Maio permanecem como ferida aberta, sustentada por inquéritos blindados e uma justiça seletiva que protege seus próprios agentes enquanto pune celeremente a periferia. O movimento considera que a falta de punição em 2006 pavimentou o caminho para tragédias contemporâneas. O massacre foi institucionalizado por meio de operações recentes na Baixada Santista: a Operação Escudo (2023), com 28 mortes em 40 dias, e a Operação Verão (2023-2024), que acumulou 56 mortos. Juntas, deixaram ao menos 84 vítimas fatais em menos de um ano, repetindo um modus operandi de execuções sumárias e tortura. Transformadas pela dor em defensoras de direitos humanos, essas mães e familiares trilharam um caminho doloroso para se tornarem agentes de denúncia internacional. Embora tenham conquistado marcos legislativos importantes - como a Lei Estadual 15.501/2014 (Semana das Vítimas de Violência) e a Lei Municipal 3.428, de Santos. Seguiremos sendo a pedra no sapato, pela sede de justiça que vela pelo descanso das almas dos nossos filhos! Queremos o fim das execuções e o fim do extermínio! Elas exigem ainda a identificação e indiciamento de todos os envolvidos, o fim do excludente de ilicitude - que serve como salvo-conduto jurídico para a letalidade policial - e a responsabilização da cadeia de comando que autoriza tais operações. Essa realidade é reflexo de uma necropolítica que decide quem deve viver ou morrer, perpetuando o legado de exclusão da abolição de 1888. Reparar essa história não é apenas uma dívida financeira, mas uma necessidade ética de romper com a desumanização sistemática da população preta e pobre. A luta das Mães de Maio é, fundamentalmente, uma estratégia de resistência pelo direito ao não aniquilamento e pela igualdade do valor da vida nas periferias. Enquanto não houver justiça, o massacre continuará a acontecer todos os dias. Débora Maria da Silva. Movimento Independente Mães de Maio.