[[legacy_image_316709]] Após uma semana de cessar-fogo, Israel retomou os ataques a Gaza. Milhares de pessoas já foram e serão, ainda, assassinadas pela ação militar. Milhares morreram e morrerão em razão das condições miseráveis em que Gaza se encontra. Netanyahu estende a guerra por mais tempo para arrebatar maior apoio público, apesar de uma parte opinião pública não lhe querer mais como primeiro-ministro. E os Estados Unidos, o "bastião da liberdade", o defensor do mundo livre e dos mais fracos - como pretendeu convencer a opinião pública global ao simular um apoio incondicional à Ucrânia - sedimenta as ações de uma ação desumana do Estado de Israel - ocasionada - reconheça-se - por uma ação abominável do Hamas - mas cuja reação tem ultrapassado, em qualquer medida possível, qualquer princípio de razoabilidade ou de justificação. Estamos observando um massacre do povo palestino. Embora se reconheçam os inúmeros problemas existentes na comunidade palestina - inclusive valores que o Ocidente possa considerar atrasados ou ofensivos - nada justifica assistirmos, de braços cruzados, a situação que vem ocorrendo naquele país. Para alguns, a Palestina seria a Terra Prometida. Para outros, o questionamento é: prometida para quê ou para quem? Ou ainda, por quê? Sob o argumento de extirpar o Hamas, o Estado de Israel vem perpetrando, há décadas, uma tragédia humanitária. A ocupação, apoiada por britânicos e norte-americanos, transformou a coexistência harmoniosa - atestada por muitos judeus que viviam na Palestina antes de 1948 - num ódio figadal que, paulatinamente, reduziu a condição palestina a uma situação inumana e transformou os territórios palestinos em lugares de prevalência da ignorância - afinal, invariavelmente, bombardeiam-se escolas; temor - pois o entardecer, ao invés do momento de descanso, é quando mais bombas são lançadas; e, por fim, desespero, diante da falta de expectativas quanto ao futuro. As únicas alternativas são lutar ou abandonar Gaza. Mas isto seria o justo? Neste cenário, infelizmente, é que a hipocrisia ocidental parece imperar. Traumatizada pela vergonha do Holocausto - a maior tragédia do século XX - em que Adolf Hitler condenou à morte ciganos, comunistas, homossexuais, judeus, maçons e Testemunhas de Jeová, o Ocidente convalida a ação do Estado de Israel nesta situação. Claro que atuação de alguns países da região, por certo, justificam a ação mais assertiva de Israel, afinal, tem sido o vizinho indesejado contra o qual alguns já declararam uma sentença de extinção. Mas, por afirmar-se como a única democracia da região, a ação do Estado de Israel não pode beirar a barbárie. É lamentável, ainda, reconhecer, que Israel não é o primeiro a fazer isso: o Afeganistão e a Líbia, por exemplo, são retratos de ações equivocadas que levaram milhares à morte e condenaram países que já eram problemáticos ao ostracismo global e a deterioradas condições de vida por décadas. O fato é que dois pesos e duas medidas têm sido a característica fundamental da política externa dos Estados Unidos e do Ocidente. O interesse nacional desconsidera o mais fundamental dos direitos que é a preservação da vida. Esta hipocrisia perniciosa, muitas vezes cercada de uma retórica beneficente, leva a estas guerras insanas, assimétricas e que jamais atingirão qualquer objetivo senão intensificar ódios e a repetir, no futuro próximo, a mortandade de milhares de vidas ceifadas por puro interesse político e econômico. Por fim, cabe relembrar, opor-se às ações do governo de Israel não é antissemitismo. Governos erram e devem ser trocados.