[[legacy_image_272471]] Pelo menos dois ícones da literatura brasileira fazem parte da árvore genealógica da família, mais precisamente à que se refere ao lado de minha mulher, Marta. Jorge Amado e Graciliano Ramos têm suas vidas penduradas nos galhos que já se vão ao longe, percorrendo os raminhos que se espalham entre quase 2 mil folhas de parentescos desde os séculos passados. O mais interessante nessas buscas por antepassados é a nomenclatura que surge quando aciono o aplicativo MyHeritage, por onde navego tentando atingir mais profundidade em águas rasas. Jorge Leal Amado de Faria, que nasceu na Fazenda Auricídia, distrito de Ferradas, Itabuna, Bahia (1912-2001), o fértil escritor de Capitães de Areia, Gabriela, Cravo e Canela, Tieta do Agreste, Dona Flor e Seus Dois Maridos, entre dezenas de outros romances, vem a ser nada mais nada menos do que “ex-marido da prima da avó” de minha esposa, Marta. Essa prima da avó, na verdade, foi a primeira mulher dele, Mathilde Leal Amado de Faria, nascida Mathilde Mendonça Garcia Rosa, em Estância, Sergipe, em 1914 e falecida no ano de 1986. Esta ficou conhecida mais no âmbito familiar de minha esposa, pelo lado paterno dela. Pois a mulher mais notória de Jorge Amado, todos sabem, foi Zélia Gattai Amado (1916-2008), memorialista, romancista, autora de Anarquistas, Graças a Deus e outros. Jorge e Mathilde tiveram a filha Eulália Dalila Amado (1935-1950). Jorge e Zélia tiveram João Jorge Amado (1947) e Paloma Jorge Amado (1951). E onde é que o outro grande romancista, jornalista e político Graciliano Ramos de Oliveira, que nasceu em Quebrângulo, Alagoas (1892-1953), autor de Vidas Secas, São Bernardo e Memórias do Cárcere, entre outros, se encaixa nos galhos dessa nossa árvore? Ele é “pai da cunhada do ex-marido da prima da avó” da minha mulher, Marta. Essa cunhada, Luiza de Medeiros Ramos Amado, filha da segunda esposa de Graciliano, Heloísa Medeiros Ramos, casou-se com o irmão de Jorge Amado, James Leal Amado de Faria (1922-2013), e, assim, figura como uma das folhas da árvore familiar. Essa avó da Marta, tão citada, é a querida Noêmia Lima de Carvalho, que nasceu em Simão Dias, Sergipe (1903-1984), mãe do pai da Marta, o saudoso Eteócles Carvalho de Azevedo (1924-1999). Um pouco confuso, mas real. Sigo a buscar nas águas mais profundas da genealogia outras descobertas que ainda virão e sobre as quais não tenho a mínima ideia. O meu lado paterno, por exemplo, é um mistério que não consigo desvendar, porque meu sobrenome, Silvares, ao que tudo indica, é um topônimo acrescido ao nome de meu avô, que seria natural de uma aldeia portuguesa chamada Silvares. São quatro em Portugal. De qual ele veio? Esse é um tema para outro artigo, o “enigma da esfinge”, que um dia espero desvendar. Por isso é que se diz que a genealogia é uma área que estuda a origem, evolução e dispersão das famílias e suas gerações. E as interrogações também, em toda a sua amplitude.