[[legacy_image_276604]] Conta-nos a história que a formação das primeiras comunidades prósperas surgiu no Antigo Egito, diante da existência de terras férteis e da disposição de recursos hídricos oferecidos pelo Rio Nilo, por volta de 3.500 anos a.C. Formavam, na época, territórios administrativos chamados de nomos. Na condição de primeira localidade organizada na forma de Estado, o Egito também foi precursor no sistema de cobrança de impostos. E, naquela época, o Faraó era o próprio responsável pela arrecadação e fazia o recebimento percorrendo o Rio Nilo com sua corte, em sua frota, visitando os 42 nomos, administrados por seus monarcas. Avançando na história da cobrança de impostos, conhecemos a fase do Império Romano, consagrado principalmente pelo período do imperador Tibério Cláudio Nero César, época em que Jesus foi questionado se era lícito ou não pagar impostos a César. Percebe-se que pouca coisa mudou daquela época para cá, no tocante à relação entre súditos e soberanos Na semana passada, o governador Tarcísio de Freitas recebeu os nove prefeitos da Região Metropolitana da Baixada Santista em almoço realizado no Palácio dos Bandeirantes. O evento rendeu muitas fotos nas redes sociais; várias promessas futuras para liberação de verbas e até o reconhecimento do governador que a região de fato tem sido preterida em investimentos. Alguns prefeitos levaram no bolso do paletó uma relação de pedidos pontuais do seu município, tipo de conduta que se assemelha à submissão política praticada no Antigo Egito ou no período do Império Romano. Ora, no tempo em que ficaram no almoço com o governador, os prefeitos perderam a chance de colocar tudo em pratos limpos. Poderiam ter adotado uma postura de vanguarda administrativa, firme e respeitosa, com a exposição de fatos reais que comprovam o descaso do Estado com a região. Até de forma online, nos métodos avançados da Inteligência de Dados, teria sido possível exibir ao governador, acessando o site da Secretaria da Fazenda, que, nos últimos dez anos, dos dispêndios de R\$ 2,484 trilhões promovidos pelo Estado, nossa região recebeu apenas R\$ 22,2 bilhões, ou 0,89% dos recursos estaduais; R\$ 77 bilhões a menos do que teríamos direito, já computados os dispêndios com inativos. É inconcebível, nos tempos atuais, que se faça política nos moldes do Antigo Egito. Nosso governador também é chefe de Estado, mas não exibe a encarnação do deus Hórus e é sensato o suficiente para tratar temas relevantes com absoluta sobriedade. Nestes tempos modernos, de tecnologia avançada, a política precisa ser exercida com absoluto profissionalismo, nos mesmos termos das negociações privadas, ou seja, com base em dados reais e análises consistentes de conjuntura econômica e fiscal. A Baixada Santista e outras regiões do Estado vêm sendo preteridas em seus direitos. E isto precisa acabar, independente de quem seja o governante. Não há necessidade de se criar um painel público, do tipo do impostômetro, para provar o que se arrecada e o que se destina para cada região. É obrigação elementar dos prefeitos e demais parlamentares representarem sua base eleitoral de forma serena, mas com altivez. Conversas de bastidores, conchavos políticos ou partidários não têm mais espaço neste ágil mundo da informação. Chega de viver na era dos faraós. Ou a classe política se moderniza ou a sociedade irá buscar explicações de ordem pública no ChatGPT.