Nos nossos dias é comum encontrarmos pessoas que costumam enxergar o mundo a partir dos seus próprios narizes, julgando pessoas, com o dedo indicador quase sempre em riste ou estabelecendo maledicências criadas por suas próprias mentes um tanto quanto doentias, distantes do mundo real, predispostas a afastar pessoas do seu convívio porque já não mais enganam quem quer que seja. Quando ficam sozinhas ou cercadas de “oportunistas”, conservam o amargor de suas vidas tristes. Geralmente nutrem e colocam em prática atitudes nada saudáveis. Para elas, as “amizades” tornam-se pretensões de pertencimento inadequadas à saudável convivência. A partir daí surge o discernimento, a capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado. É a habilidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza; juízo, tino. Dentro do psiquismo, o discernimento pode ser entendido como sendo a percepção repentina, uma nova relação dentro de uma vivência; mais especificamente em gestalt, seria o ponto determinante para a sábia aprendizagem. Tendo a sua origem, em seu sentido estrito, nos textos bíblicos, trata-se de um método avalizado e aperfeiçoado ao longo da história do cristianismo pelos mestres da espiritualidade, dentre os quais se destaca Santo Inácio de Loyola, autor dos Exercícios Espirituais, livro que discorre, precisamente, sobre os meios do discernimento vinculados aos impulsos da alma nos quais o exercitante possa encontrar a autêntica vontade de Deus para si, dentro de si. Discernimento é um substantivo masculino que significa o ato de discernir ou fazer uma apreciação clara e sensata em relação a algo. É sinônimo de critério, escolha, reflexão. Tem origem no latim discernere, que significa dividir ou separar. Discernir é conhecer ou ver distintamente, avaliar, fazer a distinção entre duas ou mais coisas. A gestalt-terapia foi desenvolvida nas décadas de 1940 e 1950 pelo psicanalista berlinense Fritz Perls, junto com sua esposa Laura Perls. Um dos principais temas trazido por ela é tornar mais explícito o que está implícito, projetando na cena exterior aquilo que ocorre na cena interior, permitindo assim que todos tenham mais consciência da maneira como se comportam aqui e agora, na fronteira de contato com seu meio e com os seus semelhantes. De acordo com a teoria gestáltica, não se pode ter o conhecimento do “todo” por meio de suas partes. O todo não é outro senão a soma de suas partes. Será imperioso que possamos perceber o conjunto, formado por partes que se complementam, em atitudes, ações e posteriores reações, para a sua compreensão, respeitando-se as diferenças e as individualidades, construtivas e aptas a produzir o bem comum. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, psicopedagogo, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro das Academias Vicentina e Santista de Letras