[[legacy_image_261135]] O escritor alemão Johann Goethe afirmou certa feita: “Diante da ignorância, até os deuses são impotentes”. No momento atual que a humanidade vive uma fase de extrema abundância de informação e conhecimento, assusta o nível de ignorância existente com relação à China e a enorme manipulação realizada por alguns para manter uma narrativa equivocada e daninha quanto ao processo de maior aproximação econômica entre o Brasil e a China. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem seus inúmeros problemas. De fato, a “capivara” do atual presidente brasileiro lhe impede de ter uma relevância global. Mas, como dizia Ronald Reagan, crédito deve ser dado quando crédito é devido. O engajamento profícuo com a China deve constituir um objetivo do Estado Brasileiro. Mas, infelizmente, como tudo ficou polarizado no Brasil, num debate ideológico inútil e do tempo da Guerra Fria, deixamos de observar as novas realidades globais. Aliás, a própria viagem de Emmanuel Macron à China - muito mais importante que a visita de Lula - reconheceu a transição global que estamos atravessando. A recepção a Lula na China foi, mais do que qualquer coisa, uma homenagem e reconhecimento ao papel importante do Brasil no mundo. O Brasil é um parceiro importante do China, com quem tem relações comerciais relevantes. Os dois países têm economias complementares e podem desempenhar papéis relevantes na ordem internacional que se vem reestruturando neste século 21. Erramos ao ver a análise da visita à China centrada no infeliz debate de direita e esquerda. E nisso abundou um oceano de desinformação, preconceito e de teorias conspiratórias. É impressionante que na época atual, em que há tanta informação disponível, prevaleça um desconhecimento tão profundo sobre o gigante asiático, seu histórico recente e seu processo de ascensão. Ao invés de se buscar incrementar o conhecimento do milagre econômico chinês – e quiçá aprender algumas lições com ele –, vimos proliferar uma onda enorme de desinformação, instando o Brasil a buscar a aprovação dos países europeus e Estados Unidos para as movimentações de sua política externa. Tal postura não poderia ser mais absurda. Por três motivos: em primeiro lugar, recordo Lord Palmerston, ex-primeiro-ministro britânico, que afirmava que, nas relações internacionais, não há amigos ou inimigos perenes, somente interesses. Logo, os interesses prevalecem sobre eventuais arranjos existentes, até mesmo porque os outros países obedecem a mesma dinâmica. Em segundo, o Brasil jamais terá uma oportunidade de exercer influência global na estrutura atual, porque a estrutura do G7 lhe é totalmente fechada. O Brics oferece ao Brasil uma oportunidade única de ser um ator fundamental na reestruturação da governança global. Já é passada a hora de o Brasil deixar de ser uma potência mediana, sem relevância no cenário geopolítico. E, por fim, se considerarmos o crescimento chinês nas últimas décadas, podemos, facilmente, vislumbrar que a China dobrará seu PIB per capita nas próximas duas décadas. O relacionamento entre os dois países pode potencializar ainda mais a relevância global deles. Talvez seja esta uma das poucas oportunidades para o Brasil deixar de ser um anão diplomático.