Foto ilustrativa (Pixabay) No último dia 17 de novembro, comemorou-se o Dia Mundial da Prematuridade. A escolha dessa data homenageia um dos fundadores da European Foundation for the Care of Newborn Intants (EFCNI), que após a morte de trigêmeos prematuros se tornou pai de uma filha que nasceu em 17 de novembro de 2008. A EFCNI - organização não governamental, criada na Europa por pais e profissionais da saúde - objetiva sensibilizar a sociedade sobre as causas e as consequências de um parto prematuro. No Brasil, temos o Prematuridade.com, parceiro oficial da EFCNI, que trabalha para garantir um tratamento de qualidade para prematuros. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O varal de meias constitui o símbolo do Dia Mundial da Prematuridade: um par de meias roxas é emoldurado por nove meias (em tamanho real) de recém-nascidos para indicar que um em cada dez bebês vem ao mundo de forma prematura. A escolha da cor roxa se deve ao fato de ela representar sensibilidade, transmutação e mudança. Sou mãe de uma filha prematura. Embora esse nascimento já tenha ocorrido há 25 anos, não posso deixar de me solidarizar com quem passa por situação semelhante. Insegurança, medo, temor, um conjunto de sentimentos habita o coração daquela que gerou a vida, quando, impotente, se coloca em volta da incubadora de uma UTI neonatal onde a vida gerada luta para não sucumbir. Entretanto, este texto não é sobre tristezas; é sobre força, garra, determinação. Ao olhar para aquelas crianças que, como a minha, tiveram pressa de chegar ao mundo, enxergava heróis e heroínas que, bravamente, lutavam, entre cateteres, sondas, fios e máquinas, pela existência. Não sei se há algum trabalho científico sobre o assunto, contudo tenho a impressão de que meninos e meninas prematuros se tornam homens e mulheres mais decididos, corajosos e perseverantes. Vejo isso em minha filha, em minha sobrinha (que também foi prematura) e em filhos prematuros de amigos. Para quem nunca experienciou uma situação dessas, posso garantir que os momentos vividos não são fáceis. Todavia eles trazem muitas lições. Lembro-me das oito mães que dividiram comigo o espaço geográfico daquela UTI; mas não foi só esse espaço que dividimos: também dividimos o espaço do coração. Ali, não éramos oito; éramos uma, irmanadas nas mesmas angústias e nos mesmos desejos. Trocávamos olhares, sorrisos e lágrimas, a cada vitória que um dos nossos pequenos alcançava. Nossa torcida suplantava a torcida do time de futebol mais famoso do planeta. Também orávamos, e muito, cada uma dentro da sua fé, da sua crença. Estendíamos as mãos umas às outras, abraçávamo-nos no consolo daquelas que só podem entender o que estamos sentindo porque estão sentindo o mesmo que nós. E ficávamos mais fortes. E ficávamos diferentes. Muitas vezes, conversamos sobre as mudanças que aqueles “serezinhos”, alguns pesando gramas, operavam sobre cada uma de nós e sobre os pais, os avós, os irmãos, enfim, os familiares. A dor tem o poder de unir. E de nos fazer descobrir o que temos de melhor. Sim, porque todos temos a nossa melhor parte. Enfim, ter um filho prematuro é isso e muito mais. Ficam aqui registrados alguns desses momentos, que, para mim e para minha irmã, tiveram um final feliz. Eu pude levar minha Maria para casa; ela pôde levar sua Giulia para casa. Tantas mães não o puderam.