[[legacy_image_281135]] Cerca de 33 milhões de brasileiros passam restrição alimentar, irmãos de pátria, muitos são irmãos de fé, abandonados à própria sorte, à mercê das instituições de caridade. Pode não parecer, mas a maioria das pessoas tem uma parcela da culpa dessa injustiça social diante dos homens e de Deus. Isso acontece toda vez que você joga comida no lixo, mesmo que seja pão e arroz. Os preços dos alimentos são estabelecidos pelos custos de produção, pelo lucro e pela lei da oferta e procura. Ou seja, se você desperdiça, significa que tem dinheiro para pagar mais, então quem não pode pagar, não come. Um levantamento da ONU mostra que, no Brasil, desperdiça-se 27 milhões de toneladas de alimentos por ano e que 60% dos alimentos jogados fora vêm do consumo de famílias. E, segundo a Embrapa, as perdas na fruticultura e na produção de hortaliças alcançam, respectivamente, 30% e 35%. O desperdício de alimentos gera ainda outro problema: o lixo. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior, cerca de 50% de todos os produtos agrícolas são jogados fora. São 60 milhões de toneladas, ou US\$ 160 bilhões, de produtos agrícolas por ano. Entre as principais causas das perdas estão o manuseio inadequado no campo, a comercialização de produtos a granel, a embalagem inadequada, a manipulação excessiva pelos consumidores, os veículos inadequados, as estradas precárias e o acúmulo de produtos nas bancadas de venda no varejo. O transporte é possivelmente a principal causa de danos mecânicos. Problemas solucionáveis. Se a produção está equacionada, é preciso atuar no poder aquisitivo dos mais pobres. O Bolsa Família é uma boa solução para quem não pode trabalhar, para os demais é preciso promover o emprego nas empresas, que seja parcialmente pagos pelos governos, como em um programa de bolsa-emprego. Outra iniciativa que não pode ser esquecida são os estágios remunerados, também podendo ter participação pública. Além de tirar o profissional da ociosidade, ele ganha experiência. Afinal, como diz o próprio papa: ter caridade é bom, mas gerar emprego é melhor! Um projeto que poderia ser tentado é o fornecimento de vasos com frutíferas para famílias pobres que tenham espaço em quintais ou varandas. Outra iniciativa seria o ensino de cultivo de hortaliças em vasos, eu mesmo tenho feito experiências utilizando garrafas de plástico de 2 e 5 litros, através de sementes ou das raízes que vem com as hortaliças que compramos nos mercados. Algo que funciona bem é o plantio das raízes de cebola, um terço vinga. Os ingleses já sabiam no século 19 que acabar com a escravidão era criar mercados consumidores, ou seja, fazer a economia crescer. E há mais de cem anos, Henry Ford sabia que seus funcionários deveriam ter poder aquisitivo para comprar o carro que fabricavam, ou seja, salário não deve ser o menor valor possível, mas o suficiente para adquirir bens. Nossos políticos têm que entender isso e trabalhar para que a nação tenha um projeto de salários justos, que crie um mercado interno sustentável e dinâmico. Eficiência na produção e justiça social são iguais a sucesso econômico!