(Pixabay) A velhice, ápice da vida, é um mosaico de mudanças. Cícero, filósofo romano, nos inspira: “Sabedoria é viver cada fase. A velhice é plena de virtudes”. Neste palco da memória, as lembranças da juventude ganham nova dimensão; revivem-se cenas que parecem fotogramas de um filme antigo. O primeiro amor ressoa em minha mente como o badalar de um sino no ar salgado do Morro Pacheco, impregnado com o cheiro de jasmim. Seus becos e vielas, pulsantes de vida, guardam a imagem dela: uma flor em plena floração, com olhos que brilhavam como estrelas e um sorriso que iluminava minha alma. As melodias dos bailes ainda ecoam em meus ouvidos, e a sensação da sua mão na minha permanece vívida, como a brisa suave do mar em um fim de tarde, carregada de promessas. O tempo nos separou, mas as memórias permanecem como joias preciosas guardadas no cofre do coração. O reencontro com ela, agora uma mulher realizada – esposa, mãe e avó –, trouxe-me um entendimento profundo: a sabedoria divina nos guiou por caminhos diferentes, mas igualmente belos, cada um com sua própria paisagem de aprendizados. Seguindo o fluxo natural da vida, minha jornada prosseguiu e foi marcada pela experiência vivida na Casa do Estudante Universitário (CEU) em Curitiba, onde cursei engenharia na UFPR. Os anos 60 foram uma época fértil; Curitiba atraía estudantes de baixa renda, todos almejando um futuro melhor e convivendo com a ditadura recém-instalada, que, sob a sombra da repressão, nos impelia a refletir sobre a importância da liberdade de expressão e do pensamento crítico. Naquela época, a CEU pulsava como um microcosmo vibrante, palco de debates acalorados onde a diversidade de opiniões nos desafiava a construir argumentos sólidos, alicerçados em fatos e números. Como morador provisório, mergulhei em diversas funções, da copa ao restaurante, da lavanderia ao departamento social. Cada tarefa, do balcão à representação estudantil, forjou nosso senso de responsabilidade social, pavimentando o caminho para a minha efetivação no Conselho de Administração. Essa conquista promoveu a convivência com a diversidade de pensamentos de estudantes de todo o Brasil. Hoje, aos 80 anos, percebo que a velhice, com seus desafios e oportunidades, representa mais um capítulo dessa jornada de aprendizado contínuo. Cada dia nos convida a crescer e evoluir. Por isso, devemos valorizar a amizade, o amor e o companheirismo, em vez de restringir nossa visão a uma perspectiva materialista. Em suma, a juventude é apenas o prelúdio de uma caminhada que se desvela à medida que abraçamos as alegrias e os desafios que a vida nos oferece. *José Geraldo Gomes Barbosa. Engenheiro e advogado