(Unsplash) Doença comum, conhecida pelo principal sintoma de falta de ar e que acomete cerca de 20 milhões de brasileiros: assim é a asma. Apesar de popularmente conhecida como bronquite, boa parte dos pacientes com asma enfrenta desafios na busca pelo diagnóstico correto e controle da doença, que se traduzem em aumento progressivo dos episódios de crises (chamadas também de exacerbações) e em um alto número de idas à emergência e hospitalizações, sendo a 4ª maior causa de internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Falando especialmente da forma mais grave da doença, que se manifesta por meio de sintomas frequentes, mesmo em uso de tratamento padrão otimizado, há um importante cenário a considerar. Cerca de 3% a 5% das pessoas com asma poderão desenvolver a forma grave da doença e ainda que esses pacientes sejam minoria, apresentam um risco aumentado de idas constantes ao pronto-socorro, internações e até óbitos. Em média, pacientes com asma grave visitam as unidades de emergência 15 vezes mais quando comparados aos pacientes com asma moderada. No Brasil, aproximadamente 20 milhões de pessoas, incluindo crianças e adultos, vivem com asma, de acordo com o Ministério da Saúde. Embora haja uma melhora na compreensão da sociedade sobre a doença e os desafios enfrentados pelos pacientes com asma, ainda estamos aquém de contemplar totalmente as necessidades dos pacientes graves. No SUS, por exemplo, mesmo com um protocolo robusto de tratamento para a doença, 17% dos pacientes com asma alérgica grave não contam com uma opção de tratamento mais individualizada para seu perfil. A introdução de novas opções terapêuticas tem o potencial de transformar o controle da asma grave, oferecendo alternativas para casos que não respondem aos tratamentos dito padrão com broncodilatadores e corticoide inalatório. Felizmente, há uma oportunidade de mudar esse cenário. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) do Sistema Único de Saúde está em processo de análise para inclusão de novos tratamentos para a asma grave no SUS, marcando um passo importante na melhoria do atendimento aos pacientes. A evolução contínua do SUS e sua capacidade de integrar avanços científicos são vitais para garantir que pacientes com doenças crônicas, como a asma grave, tenham acesso a tratamentos de ponta. Afinal, com tantos tratamentos inovadores disponíveis, não é aceitável que continuemos perdendo vidas de brasileiros para uma doença que pode ser controlada e tratada. *Pneumologista, diretora-executiva e líder de Programas educacionais da Fundação ProAR