A mulher negra no Brasil enfrenta uma realidade repleta de desafios relacionados ao racismo, machismo e desigualdades sociais (Luiz Fernando Menezes/ Arquivo AT) A mulher negra no Brasil enfrenta uma realidade repleta de desafios relacionados ao racismo, machismo e desigualdades sociais. A data de 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, destaca a importância da luta por equidade e reconhecimento dessas mulheres. Historicamente, desde o período colonial, as mulheres negras desempenharam papéis essenciais na economia e na cultura do País, trabalhando nas lavouras de cana-de-açúcar, café e algodão, e mantendo a vida cotidiana nas cidades e áreas rurais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Elas foram fundamentais na resistência à opressão, liderando quilombos e movimentos por liberdade e direitos. Após a abolição da escravatura em 1888, continuaram a contribuir significativamente para a sociedade, preservando e transmitindo tradições culturais afro-brasileiras. Contudo, enfrentaram marginalização e exclusão social, com acesso limitado a direitos básicos como educação, saúde e moradia. No mercado de trabalho, as mulheres negras enfrentam grandes dificuldades. Em 2020, o IBGE revelou que ganhavam em média 44% a menos que homens brancos, e a informalidade e o subemprego perpetuam a precariedade econômica. Além disso, a dupla discriminação de gênero e raça agrava a situação, com essas mulheres lidando frequentemente com assédio e violência doméstica. Na saúde, a disparidade é igualmente alarmante. A taxa de mortalidade materna entre mulheres negras é 60% maior que a das brancas, conforme dados do Ministério da Saúde. O acesso a cuidados médicos adequados é muitas vezes limitado, refletindo a necessidade urgente de políticas públicas que garantam um atendimento mais humanizado. A exclusão educacional também é um problema persistente. A evasão escolar é alta, muitas vezes devido à necessidade de trabalhar para ajudar no orçamento familiar. Em 2019, a taxa de analfabetismo entre mulheres negras era de 9,2%, comparada a 3,9% entre mulheres brancas. A falta de representatividade nos currículos escolares perpetua estereótipos e desvaloriza sua história e cultura. O 25 de julho é um momento crucial para reconhecer a luta da mulher negra contra as opressões de gênero e raça e para refletir sobre a necessidade de ações afirmativas que promovam a equidade. Instituído em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola que no século 18 resistiu bravamente à escravidão e lutou pela liberdade de seu povo. A celebração do 25 de julho deve ser um impulso para a valorização contínua da mulher negra e para a implementação de políticas públicas que promovam sua inclusão e desenvolvimento. A luta por um futuro mais justo e igualitário é um compromisso de toda a sociedade. *Alessandra Franco. Advogada, mestranda em Políticas Públicas na UFABC.