(Vanessa Rodrigues/AT) A educação atual tem um grande desafio: encontrar o ponto certo com relação às novas tecnologias e, principalmente, trabalhar com os alunos as questões dos multiletramentos digitais. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já aborda o tema nas competências gerais da educação básica especialmente no item 5: “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”. A questão é: como utilizar essas novas tecnologias? A Finlândia país que foi referência na educação mundial vem repensando o uso das telas e dos computadores assim como diversos países da Europa. Nas últimas avaliações do Pisa (prova internacional), o país tem visto seus índices caírem mais de 20 pontos nas áreas de Leitura, Matemática e Ciências. Entre outros fatores, uma das hipóteses é o aumento da digitalização nas escolas. Além disso, temos o desafio da questão ética do uso das novas tecnologias e, especialmente, da inteligência artificial (IA). O mau uso dessas tecnologias, por exemplo, para produzir notícias falsas ou mesmo para a prática do cyberbullying é o principal problema. A maioria das redes de educação ainda não constituiu programas estruturados para trabalhar os multiletramentos digitais, ou seja, promover entre os estudantes a reflexão crítica e ética do uso das novas tecnologias. Diante disso muitos alunos utilizam a IA para escrever trabalhos, pesquisando respostas de forma automática e sem reflexão. Notícias falsas são tomadas como verdades, criando bolhas falsas de informação. Talvez isso explique por qual motivo cerca de 7% dos brasileiros acreditam que a Terra é plana, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. Os novos gestores municipais da Educação têm o grande desafio de colocar a questão das novas tecnologias, multiletramentos digitais e inteligência artificial no centro das políticas educacionais para o ano de 2025. *Fábio Oliveira Inácio. Gestor da Educação, pós-graduado em Gestão Pública e Gestão Escolar