No primeiro semestre, a balança (exportações menos importações) chegou a US\$ 49 bilhões, superando as previsões e surpreendendo pelo contexto deste ano, de tarifaço, guerra no Oriente Médio e juros elevados. Esse resultado merece comemorações, porém, ele esconde uma fraqueza da economia brasileira – o recuo da indústria. Enquanto o agronegócio, mineração e petróleo avançaram a passos largos, o segmento industrial registrou déficit comercial de US\$ 37 bilhões em igual período, segundo reportagem do Valor Econômico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A grande exceção da indústria tem sido o ramo de aeronaves, concentrado na Embraer. Com encomendas crescentes, a empresa consolidou sua presença mundial. Entretanto, levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), citado na matéria, diz que os outros segmentos fabris, como veículos, plásticos, farmacêuticos, eletrônicos, vestuário e calçados, tiveram neste ano seus piores déficits de primeiros semestres desde 2000. O encolhimento do setor tem relação direta com o milagre chinês, que desde o começo do século multiplicou as compras do agrone-gócio e mineração do País, ajudando o Brasil a festejar sucessivos recordes de saldos comerciais. Nesse período, a economia asiática aprendeu a transformar insumos e matérias-primas em manufaturados a preços baixos. Quase três décadas depois, a China é hoje a indústria do mundo, que o Governo Trump tenta frear por meio do protecionismo tarifário. A pujança chinesa e a guerra comercial entre as duas potências não impedem o Brasil e outros países de tentarem desenvolver suas indústrias. Mas, por aqui, o revés tem sido impressionante. Os economistas alertam para a falta de competitividade e o custo Brasil, composto pela carga tributária elevada, infraestrutura defasada, ensino básico ineficiente e baixa capacita-ção. Contudo, são problemas que também atingem o agronegócio, que mesmo assim conseguiu se desenvolver. O Iedi aponta outro motivo para a crise industrial brasileira - a defasagem tecnológica. Com deficiências estruturais e uma economia instável e de baixo crescimento, as indústrias nacionais não conseguem acompanhar a evolução das estrangeiras, que chegam com muita tecnologia. Um dos melhores exemplos é o dos carros eletrificados. Com excedente de produção e alta competitividade, a China antecipou as exportações desses veículos ao Brasil para escapar da alíquota máxima de 35% que entrou em vigor em julho. Os governos têm se baseado na costumeira estratégia de utilizar isenções fiscais para estimular a produção interna, medida que já mostrou ser incapaz de tornar o Brasil uma potência industrial. O País ainda tem grandes e médias indústrias com produção de ponta e alta capacidade exportadora, mas é preciso enfrentar as falhas estruturais com uma política de longo prazo, não eleitoreira, para o setor exportar mais, competindo sem paliativos com os importados.