O navio-aeródromo multipropósito (NAM) “Atlântico”, da Marinha do Brasil, considerado maior navio de guerra da América Latina, dará apoio à COP 30, em Belém (PA) (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Em junho deste ano, um navio zarpou do Mediterrâneo rumo à Amazônia. Partiu de Nice, durante a 3ª Conferência das Nações Unidas para o Oceano, e seguiu até Belém do Pará, sede da COP30. No meio do caminho, faz uma escala essencial: Santos. Essa embarcação é simbólica, mas representa o movimento que conecta o oceano à ação climática — e se tem oceano, Santos precisa estar a bordo. Em Nice, o Brasil foi protagonista ao ampliar compromissos: integrar ações baseadas no oceano à sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), expandir áreas marinhas protegidas, implementar o Planejamento Espacial Marinho, fortalecer a educação oceânica e promover uma pesca sustentável e inovadora. Pela primeira vez, o oceano deixa de ser coadjuvante e assume o centro da agenda climática global. Em Nice também nasceu a Ocean Rise & Coastal Resilience Coalition, uma frota de cidades costeiras unidas pelo mesmo propósito: proteger pessoas, infraestruturas e ecossistemas diante das ameaças climáticas. Até agora, apenas Santos e Salvador embarcaram nessa jornada, reafirmando a ligação inquebrável entre nossas cidades e o mar. Santos foi a primeira cidade do mundo a incluir a Cultura Oceânica no currículo das escolas públicas, ensinando que o mar é parte da nossa identidade e responsabilidade. Essa experiência, o Currículo Azul, inspirou o presidente Lula a anunciar, em Nice, a expansão dessa política para todo o País. A cidade também traçou sua própria carta de navegação: o Plano Municipal de Ação Climática, que define rotas para reduzir impactos e adaptar-se aos novos ventos do tempo. Agora, Santos foi convidada a assinar a Carta de Compromisso dos Governos Subnacionais para Soluções Climáticas Baseadas no Oceano, reforçando que a transformação começa nas cidades. Estamos na Década do Oceano, e o Brasil terá papel essencial nessa travessia — além da COP30, sediará a Conferência da Década do Oceano, em 2027. É um chamado para cuidar do mar que nos deu origem e que continua a nos sustentar. E se o navio que partiu de Nice leva compromissos e esperança rumo a Belém, sua parada em Santos é indispensável: é aqui que ciência, educação, justiça climática e cultura oceânica se encontram. Afinal, a cidade onde nossa história começou pelo mar tem no oceano seu presente — e dele depende o nosso futuro. *Gabriel Miceli é advogado e secretário-adjunto de Meio Ambiente de Santos.