Existem pessoas que não desaparecem nem morrem. Ela continuam vivas por suas obras e pelas coisas que aqui fizeram! Assim é David Capistrano, que continua vivo e reverenciado pela Câmara Municipal de Santos, que lhe outorga postumamente a Medalha Braz Cubas por iniciativa do vereador Marcos Caseiro (PT). Tive o privilégio de conviver com Capistrano desde a 8ª Conferência Nacional de Saúde, então como presidente do Sindicato dos Médicos de Santos, onde David contribuiu de maneira importante na formulação do relatório final, que depois serviria de base para o capítulo da Saúde da Constituição Cidadã de 1988. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em Santos, como secretário de Saúde do primeiro governo do PT, fez uma revolução, implantando as Policlínicas que proporcionaram atendimento tão qualificado à nossa população que ocasionaram à época resistência de uma parcela da categoria médica que temia esvaziamento dos seus consultórios. Foi David quem teve a coragem de intervir no Hospital Anchieta, um depósito cruel de doentes mentais, substituindo a masmorra por uma rede assistência ambulatorial de Naps e Caps, devolvendo esses pacientes ao convívio social. Foi sua iniciativa a política de redução de danos fornecendo troca seringas para os usuários de drogas injetáveis, quando até foi ameaçado de prisão pelo Ministério Público. Santos foi a primeira cidade do país a fornecer gratuitamente o chamado coquetel de tratamento para aids, política depois adotada pelo Ministério da Saúde, pelo saudoso ministro Adib Jatene, sob orientação do nosso David, que também formulou a implantação de salas de parto. Na Área Continental de São Vicente, a sala de parto implantada pela saudosa Irmã Dolores leva seu nome. Falar de David é lembrar de sua trajetória como líder estudantil secundarista, do organizador da passeata dos 100 mil na resistência à ditadura militar, da sua passagem e prisão no Congresso da UNE em Ibiúna, é falar do dirigente do PCB e depois do PT. Como prefeito de Santos, é de sua autoria o projeto de urbanização do Dique da Vila Gilda, interrompido por gestões posteriores. Teve a ousadia de dar o nome de Che Guevara ao Hospital da Zona Noroeste. Se não tivesse falecido tão precocemente, seria ministro da Saúde do primeiro mandato do presidente Lula. Obrigado, Haidê Benetti de Paula, por ser essa companheira tão cuidadosa e importante na vida do David. Ele combateu porque a retaguarda estava segura. Tive a honra, como deputado estadual, de dar o nome de David Capistrano ao viaduto no entroncamento da Rodovia dos Imigrantes com o Rodoanel em São Bernardo, lembrando das andanças desse companheiro pelos caminhos desse país na sua luta pela saúde digna para todos os brasileiros. David vive! Viva o David!