(Imagem ilustrativa/Pexels) Há quanto tempo você escuta que se comunicar em inglês é essencial para buscar as melhores posições no mercado de trabalho? Mesmo assim, apenas 5% dos brasileiros têm algum conhecimento do idioma, e só 1% da população é fluente em inglês, segundo levantamento do British Council, organização do Reino Unido. Quem é bilíngue tem uma vantagem competitiva no mercado de trabalho, recebendo salário até 30% maior, figurando como um profissional com habilidades cognitivas e emocionais aprimoradas. Comunicar-se em inglês faz diferença até para ver um filme sem legenda, fugindo daquelas dublagens que mudam o perfil vocal do ator. E, por consequência, o impacto de uma cena, a exemplo da icônica fala “i’ll be back”, do filme O Exterminador do Futuro, que perde a força quando ouvimos “eu voltarei”. Quando se é bilíngue, até as viagens e os roteiros culturais trazem experiências diferentes e mais completas, com o entendimento integral de um costume ou receita local, por exemplo. Mas não é só isso. Aprender um novo idioma é uma prática que vai além da comunicação, promovendo o desenvolvimento de habilidades cognitivas superiores, ampliando a empatia cultural e fortalecendo competências socioemocionais e executivas. Esses benefícios são muito discutidos na neurociência, na psicologia educacional e na linguística aplicada. Quando você aprende uma nova língua, passa a entender melhor a sua própria língua materna, porque traz o que conhece da sua língua e compara com a outra. O bilinguismo também vai impactar nas funções executivas, que são habilidades como memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva: as pessoas bilíngues acabam demonstrando uma maior capacidade de alternar entre tarefas, justamente porque têm essa flexibilidade cognitiva de alternar entre línguas. Falar outra língua retarda o envelhecimento em até cinco anos e reduz o risco de doenças como Alzheimer, segundo alguns estudos recentes. Por exercer uma função cognitiva mais elaborada, trocando de uma língua para outra, isso faz com que você mantenha seus neurônios em alto funcionamento. No aspecto das habilidades emocionais, quando você aprende outro idioma, trabalha empatia e consciência cultural. Isso acontece porque você se aprofunda para além da língua, aprendendo sobre a cultura desse país, criando uma abertura para a diversidade e compreensão intercultural. O aprendizado de um novo idioma deve ser visto como uma ferramenta poderosa no desenvolvimento humano integral: não é só aprender uma língua, é muito mais do que isso. Porque esse aprendizado fortalece não apenas as competências linguísticas, mas também as cognitivas, sociais e emocionais. *Sylvia Marit Syrdahl. Pedagoga especializada em Educação Bilíngue com 40 anos de experiência no ensino da língua inglesa